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Discursos inaugurais de Lula e Flávio Bolsonaro entusiasmaram pouco o eleitor

Instituto avaliou a recepção do público às falas dos principais candidatos na abertura de suas campanhas. (Foto: GAI Media)

Os discursos de abertura das campanhas de Luís Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro encontraram um eleitorado pouco disposto a se entusiasmar com qualquer um dos dois. É o que aponta a 14ª rodada do Painel Narrativo Semanal do Instituto Democracia em Xeque (DX), que analisou qualitativamente a recepção de trechos dos discursos feitos pelos candidatos no domingo passado. Lula falou no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, enquanto Flávio discursou na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Os participantes foram expostos a cinco vídeos com fragmentos das falas dos dois candidatos, organizados em quatro eixos: mulheres, segurança pública, comparação de propostas e comparação de legados, preparo e razões para votar em cada um. A partir das reações, o DX identificou um cenário de “dupla estagnação”: a imagem positiva de Lula parece encontrar um limite, enquanto a imagem negativa de Flávio dá sinais de estabilização.

Segundo o instituto, a aproximação entre os dois ocorre em um ambiente de acirramento e de disputa por rejeição, e não de crescimento expressivo da aprovação de qualquer um dos candidatos. O voto aparece como “relacional, provisório e sem paixão”, com a inclinação dos participantes dependendo em grande medida da comparação entre os adversários e da agenda factual da campanha.

Lula

Na avaliação do DX, Lula leva vantagem sobre Flávio na quantidade de conteúdo programático apresentado. Entre os temas que produziram alguma receptividade estão educação integral, minerais críticos, segurança pública e o fim da escala 6×1.

O problema, porém, estaria na maneira como o petista apresenta essas ideias. O tom considerado grandiloquente e ufanista provoca cansaço e desconfiança entre os participantes. Assim, embora Lula consiga apresentar mais elementos concretos de governo, o discurso não necessariamente se converte em entusiasmo.

A escala 6×1 aparece, nesse contexto, como a principal oportunidade de Lula para construir uma agenda de futuro. O tema conecta questões como saúde mental, família, maternidade, descanso e qualidade de vida e, segundo o DX, poderia ajudar a recompor uma agenda positiva para o petista. Para isso, contudo, precisaria deixar o plano discursivo e se transformar em uma prioridade concreta.

Flávio

Flávio, por sua vez, mobiliza assuntos que fazem parte das preocupações cotidianas dos participantes, como mulheres, segurança pública, custo de vida e corrupção. O problema identificado pelo painel é outro: suas falas continuam sendo percebidas mais como ataques e slogans do que como um conjunto de políticas capazes de responder aos problemas apresentados.

A segurança pública é um exemplo. O tema, tradicionalmente associado ao campo político da direita, não se transforma automaticamente em ativo eleitoral para Flávio. O candidato consegue mobilizar o medo cotidiano, mas, na avaliação dos participantes, não apresenta uma proposta suficientemente concreta.

Lula também não sai completamente fortalecido nesse campo. O petista recebe algum crédito por apresentar medidas consideradas mais estruturadas, mas nenhum dos dois candidatos consegue convencer plenamente quando o assunto é segurança.

Mulheres

A agenda feminina aparece como uma das principais fragilidades do candidato do PL. De acordo com o painel, os homens participantes fazem uma leitura mais pragmática do voto feminino, enquanto as mulheres se mostram mais críticas ao machismo associado ao bolsonarismo e cobram respostas concretas para questões como maternidade, trabalho, segurança e autonomia.

O achado reforça, na leitura do DX, a dificuldade de Flávio em ampliar sua imagem para além de um eleitorado já identificado com o campo bolsonarista. A escolha de temas sensíveis, por si só, não seria suficiente para reduzir essa vulnerabilidade.

Custo de vida e corrupção 

O custo de vida é apontado pelo DX como o principal ponto de contato material entre os participantes. O endividamento e a alta dos preços são preocupações reconhecidas de forma ampla. O tema vulnerabiliza Lula, mas não produz uma atribuição automática de culpa ao presidente: os participantes identificam múltiplas causas para a situação econômica.

A corrupção também retorna ao debate, mas atinge Lula e Flávio por caminhos diferentes. No caso do petista, pesa a dimensão estrutural do histórico do PT. No caso de Flávio, a vulnerabilidade é associada à dimensão moral e biográfica de um grupo político que construiu parte de sua identidade em torno do discurso anticorrupção e que agora enfrenta questionamentos envolvendo o caso Master e o empresário Daniel Vorcaro.

Eleitor pendular

A principal conclusão da rodada é que os dois candidatos ainda precisam ajustar suas imagens presidenciáveis. Para Lula, o desafio é apresentar uma perspectiva de futuro com menos bravata e mais concretude. Para Flávio, é reduzir a confusão ao seu redor e apresentar propostas minimamente claras. (Com informações do portal da revista Veja)

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