O crescimento de Fernando Haddad no Nordeste deu vantagem ao candidato do PT nas simulações de segundo turno contra Jair Bolsonaro. A nova pesquisa do Datafolha mostra que o petista disparou na região, enquanto o deputado do PSL manteve a dianteira no Sudeste.
Em eventual embate direto, Haddad aparece com 62% nos Estados nordestinos contra 24% de Bolsonaro. A diferença entre os dois cresceu 10 pontos percentuais na região em pouco mais de uma semana.
O avanço no Nordeste foi o principal motor para a ultrapassagem de Haddad sobre Bolsonaro. Há nove dias, a dupla estava numericamente empatada, com 41% das intenções de voto cada. Agora, o petista tem 45% contra 39% do presidenciável do PSL.
Os Estados nordestinos concentram cerca de um quarto dos votos em disputa este ano. Outros 43% estão no Sudeste, onde Bolsonaro supera o petista no segundo turno: 45% a 38%.
O deputado manteve praticamente intocada sua vantagem sobre Haddad entre os eleitores de São Paulo, Minas, Rio e Espírito Santo. Há nove dias, o placar na região era de 45% a 37% a favor de Bolsonaro.
No Sul, a vantagem do presidenciável do PSL caiu de 20 para 11 pontos no segundo turno, mas o deputado permanece à frente do petista (48% a 37%).
Na região Norte, Haddad superou o presidenciável do PSL e agora aparece com 50% contra 38% do rival. No Centro-Oeste, Bolsonaro tem a preferência de 49% dos eleitores no segundo turno e Haddad marca 36%.
Rejeição nas regiões
A rejeição a Bolsonaro continua em alta no Nordeste. O percentual de eleitores da região que dizem não votar nele “de jeito nenhum” subiu de 56% para 61%. O menor índice está no Sul: 35%.
Já Haddad viu sua taxa da rejeição crescer principalmente no Sudeste (de 34% para 39%) e no Sul (de 31% para 37%. Ele manteve um índice baixo no Nordeste, com 21%.
O Datafolha ouviu 9.000 eleitores em 343 municípios nos dias 26, 27 e 28 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-08687/2018.
“Prazer, Andraike”
No coração do lulismo, que se espalha por outras cidades do sertão nordestino, o grau de desconhecimento em relação a Fernando Haddad é exatamente do mesmo tamanho da disposição para votar nele.
Entre os mais pobres, faixa que representa a base do eleitorado lulista, onde o petista mais cresceu segundo as últimas pesquisas, uma minoria sabe o primeiro nome. O sobrenome difícil, “que a língua não consegue dizer”, ganha variações: Adraike, Adauto, Andrade, Alade e Radarde.
A embalagem publicitária do “Haddad é Lula e Lula é Haddad” é a mais visível tradução do sertão. A resposta mais frequente e veloz, quando questionados em quem vão votar, é uma só: Lula.
A efetiva transferência de votos, sobretudo no Nordeste, é resumida pelo agricultor Severino Marques da Costa, de 52 anos. “Não precisa conhecer esse aí do nome em inglês. Quando a gente apertar o número de Lula na urna, aparece na foto. Aí eu falo: ‘prazer, Adraike’.”
