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Dólar cai 3,49% em abril, e fecha um mês em baixa pela primeira vez no ano

Brasil tem "colchão" de US$ 339 bilhões, que funcionam como espécie de seguro contra crises. (Foto: Reprodução)

O dólar fechou abril com queda acumulada de 3,49%. Após iniciar o mês na casa dos R$ 5,71 e ter momentos de maior valorização, a divisa perdeu força nos últimos dias, terminando, nesta sexta-feira (30), negociado a R$ 5,43, avanço de 1,76%. É a primeira vez que o ativo termina um mês com baixa, neste ano.

A Bolsa também apresentou oscilação ao longo de abril. O Ibovespa chegou a ultrapassar a marca dos 121 pontos no mês, mas perdeu força e terminou no patamar dos 118.894 pontos nesta sexta, queda de 0,98%.

Ainda assim, o movimento no mês foi de valorização de 1,94%. No acumulado do ano, há queda é de 0,10%.

O dia reagiu ao ambiente negativo no exterior, com o dólar se valorizando frente às moedas emergentes. O desempenho ruim dos mercados nos Estados Unidos também influenciou, de forma negativa, o resultado do Ibovespa.

Para os analistas, a entrada de dólares no mercado brasileiro nos últimos dias e sinalizações nos Estados Unidos de que o estímulo à economia continuará naquele país favoreceram o mercado por aqui.

No entanto, são o andamento da campanha de vacinação e uma agenda positiva no cenário fiscal, com a evolução das reformas, que podem colaborar para uma valorização maior do real e para que o Ibovespa se firme em um patamar mais elevado.

Mais estímulo

Segundo o analista da Terra Investimentos, Regis Chinchila, a valorização do real foi influenciada pela procura de boas oportunidades no mercado brasileiro. Para ele, o futuro do ambiente de negócios ainda é incerto, dependendo de questões como o combate à pandemia e o cenário fiscal.

“Os estrangeiros procuraram oportunidades nos mercados locais, também participando ativamente de leilões importantes de portos, aeroportos e rodovias. O ambiente de negócios ainda dependerá muito da retomada da confiança dos estrangeiros, principalmente de soluções do quadro fiscal, político, social e econômico brasileiro.”

Para o economista-chefe da Órama, Alexandre Espírito Santo, fatores externos, como a decisão do Federal Reserve, banco central americano, em manter os juros próximos a zero, além da disposição mostrada pelo governo de Joe Biden para continuar aumentando os gastos públicos ajudaram na melhora de performance do real, que ainda é inferior frente a pares emergentes.

“O Fed essa semana confirmou a expectativa de juro baixo até 2023 e o governo americano está falando em mais pacotes de estímulos, numa economia que está se recuperando forte com a vacinação. Todos esses dólares esparramados são bons para países emergentes. Creio que hoje o mercado realizou uma parte dos ganhos acumulados nesses dias recentes.”

Para o analista da Órama, o mês de abril serviu para ajustar o preço da moeda americano, que estaria “exagerado” frente ao real.

“Nossa expectativa é de câmbio em torno de R$ 5,50 a R$ 5,60 pelos próximos meses. Abril me parece mais um ajuste de um preço que estava exagerado. Ainda existem muitos problemas no curto prazo, a vacinação está numa velocidade ainda não satisfatória, para dar mais confiança na retomada. Para piorar, temos agora uma CPI que pode dificultar o encaminhamento de pautas econômicas no Congresso.”

Ajustes

Entre as ações com ganhos no dia, destaque para as ordinárias do grupo Pão de Açúcar (PCAR3, com direito a voto), que subiram 4,30%. A tendência foi influenciada pelo comunicado do pagamento de proventos da ordem de R$ 583 milhões aos acionistas.

As ordinárias da Drogaria Raia (RADL3) subiram 3,99%. As da Petrobras (PETR3) tiveram alta de 0,09% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), de 0,13%.

As ordinárias da Vale (VALE3) caíram 2,62%. A empresa decidiu remarcar para segunda-feira (3) a eleição dos membros do Conselho de Administração prevista para ocorrer nesta sexta.

De acordo com Chinchila, o desempenho da Bolsa deve melhorar nos próximos meses, com a expectativa da retomada da economia e aceleração da vacinação.

“O cenário de recuperação da atividade brasileira, principalmente com a vacinação em massa e menores restrições nos estados, continua sendo nossa base para continuar posicionados em bolsa, mantendo nossa expectativa para Ibovespa no final de 2021 na faixa entre 130 e 135 mil pontos. Importante o governo dar agilidade na agenda de reformas, como a tributária a administrativa.”

Para o analista da Órama, a Bolsa brasileira se aproveitou dos preços baixos de alguns negócios, mas o volume negociado ainda é baixo. Ele prevê que até o final do ano, o patamar do Ibovespa melhore, chegando na casa dos 127 mil pontos, em dezembro.

“Creio que, assim como a taxa de câmbio, foi um mês de ajuste. Mas é preciso cautela, pois o volume negociado nas últimas semanas é muito baixo.”

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