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Dólar fecha no Brasil a 3 reais e 50 centavos após desvalorização de moeda chinesa

A desvalorização do yuan (moeda chinesa) fez com que as principais Bolsas do mundo fechassem em baixa, e provocou a valorização do dólar frente às principais moedas emergentes. (Reprodução)

O dólar voltou a subir e fechou a 3,50 reais nessa terça-feira após o governo chinês decidir desvalorizar o yuan, a moeda local, para tentar melhorar as contas do país e conter uma desaceleração maior da economia chinesa. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou o dia com valorização de 1,32%, para 3,504 reais. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, subiu 1,59%, para 3,498 reais.

O Ibovespa, principal índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), seguiu o exterior e fechou em baixa de 0,57%, para 49.072 pontos.

Além de desvalorizar o yuan, com o objetivo melhorar a balança comercial da China, no último sábado, o país anunciou uma queda de 8,3% nas exportações em julho, a maior em quatro meses e muito acima da retração de 1,5% estimada por analistas.

“A depreciação da moeda chinesa é um ponto relevante, pois abre espaço para novas intervenções nesse sentido. O governo tenta tornar a economia mais competitiva”, afirmou o economista da Guide Investimentos Ignácio Rey.

Para ele, o anúncio causa preocupação de que a economia chinesa esteja sofrendo uma desaceleração mais forte que a esperada pelo mercado. “O governo pode estar vendo algo que a gente não está vendo. Gera um nervosismo no sentido de saber como está realmente a economia da China. O governo olha algo que preocupa e tenta se precaver de uma desaceleração mais forte”, ressaltou o economista.

A medida adotada pelo governo chinês fez com que as principais Bolsas do mundo fechassem em baixa e provocou a valorização do dólar frente às principais moedas emergentes, com os investidores saindo de ativos mais arriscados e migrando para a moeda, considerada segura.

A divisa norte-americana se valorizou em relação a 23 das 24 principais moedas emergentes. Isso ocorre porque muitos países emergentes dependem da demanda chinesa por commodities.

No Brasil, a moeda vinha de duas quedas seguidas influenciada pela decisão do BC (Banco Central) de aumentar a rolagem de contratos de swap cambial (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Na semana passada, a autoridade monetária elevou de 6 mil para 11 mil o volume de contratos oferecidos.

Bolsa

A decisão chinesa teve reflexo nas ações da mineradora Vale, que fecharam o dia com desvalorização. Os papéis preferenciais registraram baixa de 5,11%, para 14,66 reais. As ações ordinárias caíram 3,88%, para 18,60 reais.

Papéis de siderúrgicas também foram afetados pela decisão. As ações da CSN caíram 3,75%, para 3,85 reais, enquanto as ações da Gerdau cederam 2,98%, para 5,86 reais. As ações preferenciais da Usiminas fecharam o dia em queda de 3,32%, e os papéis ordinários caíram 2,08%.

As ações da Petrobras fecharam o dia em baixa. As ações mais negociadas da petrolífera tiveram desvalorização de 1,21%, para 9,83 reais. Os papéis ordinários – com direito a voto – caíram 0,36%, para 10,97 reais.

As ações da BB Seguridade subiram após a empresa informar que fechou o segundo trimestre com lucro líquido de 1,215 bilhão de reais, alta de 44% sobre o resultado positivo obtido um ano antes. A alta foi apoiada no efeito do aumento de juros da economia nas aplicações financeiras da empresa. Os papéis sofreram valorização de 1,88%, para 32,50 reais.

A superdesvalorização

O mercado financeiro levou um susto nessa terça-feira: o governo da China anunciou uma superdesvalorização da sua moeda, o yuan. Foi a maior desde o fim do regime de câmbio fixo, ou seja, desde que o Banco Central chinês passou a poder mexer na moeda.

Só para se entender, o governo pode mudar o valor da moeda em 2% para mais ou para menos. E foi quase isso que ele fez nessa terça-feira: jogou o yuan 1,9% para baixo. O máximo este ano tinha sido 0,16%. Isso é uma tentativa de estimular as exportações, porque dessa maneira dá mais lucro negociar o produto chinês em moeda estrangeira do que vender para o mercado interno. No sábado passado, a China divulgou a maior queda nas exportações dos últimos quatro meses. (AG e Folhapress)

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