O dólar avançou mais de 2% na quinta-feira, fechando acima de 3,29 reais, na maior alta em quatro meses, após o corte nas metas fiscais do governo alimentar temores de que o Brasil pode vir a perder seu valioso grau de investimento. A moeda norte-americana terminou o dia em alta de 2,17%, negociada a 3,2958 reais na venda. É a maior cotação desde 19 de março deste ano, quando o dólar encerrou em 3,2965 reais. Na máxima da sessão, a moeda chegou a atingir 3,2998 reais.
Na semana e no mês, a divisa norte-americana acumula alta de 3,19% e 6,01%, respectivamente. No ano, há valorização de 23,96%. O mercado teme que o País, depois do esperado rebaixamento pelas agências de avaliação de risco Moody’s e Fitch, receba perspectiva negativa de alguma delas. Com isso, ficaria na iminência de perder seu cobiçado grau de investimento. “Cresceu significativamente a chance de o Brasil perder o grau de investimento. Talvez isso demore, mas a chance é alta”, afirmou, em entrevista à agência Reuters, o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.
Na quarta-feira, o governo reduziu a meta de superávit primário deste ano para 8,747 bilhões de reais, ou 0,15% do PIB (Produto Interno Bruto), contra 66,3 bilhões de reais, ou 1,19% do PIB, previstos até então.
Além disso, foi incluída uma cláusula de abatimento da meta fiscal em até 26,4 bilhões de reais, caso ocorra frustração em três medidas lançadas pelo governo com o objetivo de aumentar a arrecadação. Ou seja, há o risco de o Executivo não conseguir o superávit neste ano, e sim déficit primário, embora o governo avalie o fato como “pouco provável”.
As metas para 2016 e 2017, por sua vez, caíram para o equivalente a 0,7% e 1,3% do PIB, respectivamente. O objetivo anterior para cada um desses anos era de 2% do PIB, percentual que agora só deverá ser alcançado em 2018. (AG)
