Ícone do site Jornal O Sul

Doleiro da Lava-Jato que está preso diz que sua namorada foi “algemada” e “maltratada”

Dario Messer é conhecido como o "doleiro dos doleiros". (Foto: Reprodução)

Dario Messer, conhecido como o “doleiro dos doleiros”, foi a uma audiência da Operação Lava-Jato na Justiça Federal do Rio de Janeiro, na sexta-feira (6). Ele, que está preso desde julho, acompanhou o depoimento de delatores de um processo em que é réu e, ao sair da audiência, Messer falou com exclusividade à equipe de reportagem da GloboNews.

O “doleiro dos doleiros” chegou à Justiça Federal, no Centro do Rio, por volta das 14h. Com as mãos para trás, ele foi escoltado até a sala de audiência.

Messer ficou mais de um ano foragido da Lava Jato e acabou preso há quatro meses, em São Paulo, no apartamento da namorada. Já Myra Oliveira Athayde foi detida em novembro em um desdobramento da operação no Rio.

“Eu só quero dizer que ela foi algemada. Tem OAB [registro da Ordem de Advogados do Brasil] e foi algemada, maltratada”, reclamou Messer.

De acordo com a PF, “Myra Athayde não foi algemada, agredida ou sofreu qualquer mal trato. A PF também informou que “a presa foi submetida a exame de corpo de delito e nada foi constatado”.

A Operação Patron, que prendeu a namorada de Dario Messer e os parentes dela, teve como alvos pessoas que ajudaram o doleiro a ocultar dinheiro e a fugir das autoridades.

Segundo o Ministério Público Federal, Myra era o braço operacional de Messer.

A acusação diz que ela retirava dólares do Paraguai e trazia o dinheiro para o Brasil. A investigação aponta também que Myra fazia grande remessa de valores para os Estados Unidos, para uma conta offshore.

Sobre as declarações de Dario Messer, a GloboNews entrou em contato com a Polícia Federal do Rio, mas até a publicação desta reportagem não houve retorno.

Ex-presidente paraguaio foi alvo

Na mesma operação, os investigadores também chegaram a pedir a prisão do ex-presidente do Paraguai Horácio Cartes. O político é acusado de destinar US$ 500 mil a Messer, para ajudá-lo a escapar das autoridades brasileiras enquanto estava foragido.

Três delatores foram ouvidos na audiência desta sexta, entre eles, os doleiros Vinicius Claret, conhecido como Juca Bala, e Claudio Barbosa, o Tony. Eles são acusados de operar a rede de doleiros comandada por Messer.

Dario Messer é um dos sete réus no processo referente à audiência desta sexta, decorrente da Operação Marakata, outro desdobramento da Lava Jato no Rio.

Segundo o Ministério Público Federal, os doleiros abriam contas fora do país para receber pagamentos de uma empresa que vendia esmeraldas e pedras preciosas para empresários indianos.

Para os investigadores, os dólares ocultos no exterior eram trazidos para Brasil, mas não eram declarados.

O MPF ainda diz que o dinheiro era utilizado para pagar garimpeiros e atravessadores com os quais a empresa negociava as pedras.

Ainda segundo o MPF, a empresa de pedras preciosas movimentou US$ 44 milhões entre 2011 e 2017 usando o esquema montado por Messer e pelos outros doleiros.

 

Sair da versão mobile