Em seu depoimento aos investigadores da Operação Lava-Jato, o doleiro Alberto Youssef relatou que sua ex-esposa e as três filhas do casal foram convocadas à CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados para coagi-lo a evitar acusações ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e a outros parlamentares.
A iniciativa, acompanhada da quebra de sigilos fiscal e bancário dos familiares de Youssef, ocorreu um mês depois de ele afirmar ao MPF (Ministério Público Federal) que Cunha era o destinatário final de propinas em contratos entre a Samsung e a estatal. “Essa retaliação era incômoda, por eu estar preso e não poder ajudar a minha família”, desabafou o doleiro. “Mas nada me faria recuar.”
Cunha
Na sexta-feira, Cunha foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O pedido de condenação encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal) detalha que Cunha, por meio de operadores ligados ao PMDB, recebeu 5 milhões de dólares oriundos de propinas de contrato firmado entre a coreana Samsung Heavy Industries e a Petrobras para aluguel de navios-sonda. (AE)
