O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (6) que “adoraria” uma nova paralisação do governo federal se o Congresso não concordar com mudanças na lei de imigração, que, segundo ele, evitará que criminosos entrem no país.
Os comentários de Trump acontecem num momento em que parlamentares trabalham para chegar a um acordo sobre os limites de gastos dois dias antes de acabar um prazo sobre projeto de lei de financiamento do governo.
“Se não mudarmos a legislação, se não nos livrarmos dessas lacunas em que assassinos podem entrar no nosso país e continuar a matar, se não mudarmos, vamos ter uma paralisação”, disse Trump a um painel sobre segurança na Casa Branca. “Eu adoraria ver uma paralisação se não conseguirmos cuidar disso”, completou ele.
Em janeiro, o governo dos Estados Unidos enfrentou uma paralisação de três dias por falta de fundos porque republicanos e democratas não aprovaram o orçamento.
‘Shutdown’
Este foi o primeiro “shutdown” (apagão do governo) desde outubro de 2013, quando 800 mil funcionários enfrentaram uma paralisação técnica durante mais de duas semanas.
Com as contas congeladas, funcionários de agências e escritórios federais considerados não essenciais receberam a ordem de ficar em casa até que um orçamento fosse aprovado.
Escritórios centrais, como a Casa Branca, o Congresso, o Departamento de Estado e o Pentágono permaneceram operacionais, mas com equipes reduzidas.
Os militares se apresentaram para trabalhar, mas a tropa – inclusive as que estão em áreas de combate – não receberão por esses dias.
Trump já havia alertado que uma paralisação seria “devastadora” para o governo e também tinha rejeitado uma solução temporária para o programa federal de seguro de saúde para crianças pobres, que legisladores governistas querem renovar por seis anos para agradar a oposição democrata.
Entenda por que o orçamento ainda não foi aprovado
Os republicanos, que dominam o Senado e a Câmara, querem um orçamento para 2018 que aumente o gasto militar, uma promessa de campanha de Trump, que considera que as forças armadas têm equipamentos insuficientes após mais de 16 anos de guerra ininterrupta.
Mas, para um novo acordo temporário ou permanente, a oposição democrata exige em troca de seu voto uma solução para os “dreamers”, jovens que entraram nos Estados Unidos ilegalmente quando eram crianças.
Eles correram risco de deportação após Trump revogar, em setembro do ano passado, o programa Daca da era Obama, que lhes garantia residência temporária. Na semana passada, Justiça suspendeu a decisão de revogar o programa, porém o futuro desses jovens segue indefinido.
Um projeto de lei de financiamento provisório foi aprovado no dia 22 de janeiro, colocando fim à paralisação, depois que democratas e republicanos concordaram em discutir uma nova lei de imigração até o dia em que expira o orçamento provisório, que é 8 de fevereiro.
