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Mundo Donald Trump merece o prêmio Nobel da cara de pau. Relembre as mentiras que o candidato à presidência dos Estados Unidos conta ao povo americano

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Trump foi eleito presidente dos EUA em novembro (Foto: Reprodução)

A revista britânica The Economist alertou em uma reportagem para a era da “pós-verdade” na política, destacando os efeitos nocivos de boatos compartilhados nas redes sociais. O artigo coloca Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos, como o principal expoente.

“Ele habita um reino fantástico onde a certidão de nascimento de Barack Obama foi falsificada, os Clintons são assassinos e o pai de um rival estava com Lee Harvey Oswald antes de ele matar John F. Kennedy. (…) Sua ousadia não é punida, mas tomada como prova de sua disposição para enfrentar o poder da elite. E ele não está sozinho”, afirma o texto, citando discursos semelhantes na Polônia, na Turquia e no Reino Unido.

Embora reconheça que a manipulação da verdade não seja novidade no meio da política, a publicação ressalta que a chamada “era da pós-verdade” é mais grave. “O termo destaca o cerne do que é novo, que a verdade não é falsificada, mas de importância secundária. Antes, o propósito da mentira política era criar uma falsa visão do mundo. As mentiras de homens como Trump não funcionam assim. Elas não buscam convencer as elites, a quem seus eleitores-alvo nem confiam ou gostam, mas reforçar preconceitos. Sentimentos, não fatos, são o que importa neste tipo de campanha.”

O artigo atribui o movimento a vários “pais”. “Alguns são nobres. O questionamento de instituições é uma virtude democrática. A falta de deferência aos líderes é o primeiro passo para a reforma. O colapso do comunismo foi acelerado porque pessoas corajosas estavam preparadas para questionar a propaganda oficial. Todavia, forças corrosivas também estão em jogo. Uma é a raiva. Muitos eleitores se sentem abandonados enquanto elites no poder prosperam”.

Segundo o texto, a “pós-verdade” também foi incitada pela evolução dos meios de comunicação. “A fragmentação das fontes de notícias criou um mundo atomizado em que rumores e fofocas se propagam com uma velocidade alarmante. Mentiras que são amplamente compartilhadas on-line dentro da rede, cujos membros confiam uns nos outros mais do que em qualquer fonte da mídia mainstream, podem assumir rapidamente a aparência de verdade. Apresentadas a evidências que contradizem a crença que tinham, as pessoas têm uma tendência a negar os fatos em um primeiro momento”.

A revista afirma que práticas jornalísticas bem intencionadas também podem ter culpa. “A busca da ‘imparcialidade’ em relatar muitas vezes cria um equilíbrio falso em detrimento da verdade.” Para a revista, a fim de contestar a situação, políticos devem encontrar uma linguagem da “pró-verdade” e democracias devem fortalecer suas instituições independentes. (AG)

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