Ícone do site Jornal O Sul

Donald Trump ordena à Marinha dos Estados Unidos destruir barcos iranianos “se incomodarem navios norte-americanos no mar”

"O problema é [um] grande surto na Nova Zelândia. É terrível. Não queremos isso”, disse Trump. (Foto: Tia Dufour/The White House)

O presidente americano, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (22) que ordenou à Marinha disparar e destruir qualquer embarcação iraniana que incomodar os navios dos EUA. A orientação foi feita uma semana depois que 11 barcos da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGCN) se aproximaram de seis navios de guerra americanos, numa rápida escalada de manobras perigosas feitas pelos dois lados no Golfo Pérsico e no Mar Arábico.

“Eu ordenei à Marinha dos Estados Unidos abater e destruir toda e qualquer canhoneira iraniana se assediarem nossos navios no mar”, escreveu Trump no Twitter.

A declaração de Trump veio na mesma manhã em que a Guarda Revolucionária anunciou o lançamento do primeiro satélite militar do país. O secretário de Estado, Mike Pompeo, confirmou o lançamento e pediu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas faça o Irã prestar contas de uma possível violação das regras impostas ao programa de mísseis do país. Autoridades dos EUA temem que essa tecnologia também sirva para lançar ogivas nucleares. Teerã nega e diz que jamais buscou a criação de armas nucleares.

O satélite Noor, cujo nome significa “Luz”, está orbitando a 425 quilômetros acima da superfície da Terra, segundo um comunicado da imprensa estatal iraniana. Segundo a Guarda Revolucionária, o lançador de satélites Qased, ou “Mensageiro”, foi usado para transportar o Noor, sem dar detalhes sobre a tecnologia.

As tensões entre os dois países vêm crescendo desde maio de 2018, quando Trump se retirou unilateralmente do acordo nuclear assinado entre o Irã e as principais potências globais em 2015, durante o governo do democrata Barack Obama. O atrito chegou ao auge em janeiro deste ano, quando os Estados Unidos fizeram um ataque no aeroporto de Bagdá, matando o general iraniano Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã.

Interações próximas de navios americanos com embarcações militares iranianas não eram incomuns em 2016 e 2017. Em várias ocasiões, navios da Marinha dos EUA dispararam tiros de aviso nos barcos iranianos quando eles chegaram muito perto. Porém, embora a Marinha tenha autoridade para agir em legítima defesa, os comentários de Trump parecem ir além e provavelmente provocarão ainda mais tensões entre o Irã e os Estados Unidos.

Um funcionário do Pentágono informou ao jornal The New York Times que a Marinha ainda não recebeu nenhuma diretiva formal modificando as regras de resposta a possíveis provocações navais iranianas, e que o tuíte de Trump está mais na linha de uma advertência.

“O presidente emitiu um importante aviso aos iranianos, o que ele estava enfatizando é que todos os nossos navios têm o direito de legítima defesa”, disse o subsecretário David Norquist.

Apesar do lançamento, analistas disseram que Teerã e Washington não buscarão uma guerra convencional. “Esta é uma guerra psicológica para mandar um recado e dizer ao adversário que ‘estamos prontos para deter qualquer ofensiva’”, disse Hisham Jaber, general de brigada aposentado do Exército libanês e analista, à Reuters. As informações são do jornal O Globo e das agências de notícias internacionais.

 

Sair da versão mobile