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Durante a sessão do Supremo que julgou o seu pedido de habeas corpus, Lula fez um comício improvisado no interior do Rio Grande do Sul

Pausa não estava prevista no roteiro da caravana do petista pela Região Sul. (Foto: PT/Divulgação)

Na tarde dessa quinta-feira, enquanto o STF (Supremo Tribunal Federal) julgava o pedido de habeas corpus preventivo apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder petista tentou dar um tom de normalidade à sua rotina. Ele realizou um comício improvisado em Panambi, município de aproximadamente 40 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul.

A parada na cidade não estava prevista no roteiro original da caravana de Lula pela Região Sul do País. Mas o homem que governou o País por dois mandatos consecutivos (2003-2010) subiu em um carro de som e discursou por 25 minutos para um grupo de pessoas. O ex-presidente não falou sobre o julgamento. E voltou a dizer que as investigações do Ministério Público Federal são mentirosas.

“Eles sabem que nós vamos voltar e querem nos destruir antes de a gente chegar no governo”, protestou, ao lado de correligionários como o ex-governador gaúcho Olívio Dutra (1999-2003) e a ex-presidenta Dilma Rousseff, também eleita duas vezes mas que acabou afastada do cargo em 2016, devido ao processo de impeachment.

Panambi se localiza entre Cruz Alta e Palmeira das Missões, duas cidades que fazem parte do roteiro. A viagem de Lula pela região começou na última segunda-feira em Bagé e tem prosseguimento previsto até a próxima quarta-feira, em Curitiba (PR). Antes de passar por Panambi, ele esteve em São Miguel das Missões, onde se encontrou com índios caingangues.

Decisão

No julgamento dessa quinta-feira, o STF apreciou somente se o habeas corpus era um instrumento adequado no caso do ex-presidente e se poderia ser votado na Corte. Antes da decisão sobre o mérito da liminar solicitada pelos advogados de defesa, a sessão foi suspensa e só será retomada no dia 4 abril.

Em votação no final da tarde, os ministros decidiram também conceder, a pedido de Lula, uma liminar que impede a prisão do ex-presidente (pela condenação no caso do triplex do Guarujá) até a análise do mérito do habeas corpus, no dia 4. O TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) manteve para a próxima segunda-feira o julgamento dos embargos de declaração apresentados pela defesa.

A votação de hoje não significa que o pedido será aceito, pois ainda falta analisar os detalhes do processo. Votaram para que o habeas corpus seja julgado os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

PGR

Presente no plenário do Supremo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, frisou que o TRF-4 estava apenas cumprindo a determinação do plenário do STF ao dizer que o ex-presidente deveria começar a cumprir pena após o final do julgamento do recurso contra a sua condenação.

“Essa decisão tem sido considerada por muitos estudiosos e também dentro do Ministério Público, como um marco importante para fazer cessar a impunidade no País”, argumentou.

Ela também defendeu que o Supremo rejeitasse o pedido de habeas corpus sem nem analisar o mérito da questão. Na avaliação da procuradora, a jurisprudência do STF prevê que não cabe esse tipo de medida contra decisão liminar de ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) – o recurso da defesa de Lula ao Supremo é um aditamento do apresentado anteriormente ao STJ, e negado pelo tribunal.

 

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