A advogada e professora de Direito Flávia Piovesan aceitou, nessa quarta-feira, o convite do presidente interino Michel Temer para que assuma a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Na nova função, ela deverá defender o respeito ao Estado laico e a inclusão das mulheres no debate sobre o aborto. Temer foi o seu orientador no mestrado em Direitos Humanos pela PUC-SP.
Flávia responderá ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, a quem se refere como “defensor da ordem constitucional”. A professora também admitiu ter “profunda admiração” pela presidenta afastada Dilma Rousseff mas contestou a tese de que a petista foi alvo de um golpe institucional.
Religião
Entre os principais desafios a serem enfrentados pela secretária está o do embate com preceitos religiosos. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, por exemplo, defendeu a necessidade de que as igrejas sejam ouvidas sobre a questão do aborto.
“A presença cada vez maior de grupos religiosos no Legislativo se torna obstáculo para temáticas ligadas aos direitos humanos, à sexualidade e à reprodução”, ressalta Flávia. “É preciso incluir as mulheres na discussão do aborto, tem de dar voz a elas nesse tipo de discussão. A partir daí, nós vamos agregando.” (AG)
