Condenada a 38 anos e seis meses, Suzane von Richthofen, que já cumpriu 13 anos da pena, vai para o regime semiaberto. Em votação unânime, a Justiça aceitou o pedido da defesa de progressão de regime.
Em agosto de 2014, Suzane recusou-se a ir para o regime semiaberto. Na ocasião, ela temia por sua segurança em uma possível transferência de presídio. No semiaberto, ela poderá trabalhar durante o dia, mas deverá dormir na prisão. Suzane cumpre pena na Penitenciária Feminina de Tremembé, em São Paulo.
Um mês após a recusa, Suzane dispensou o advogado Denivaldo Barni e procurou a Justiça para informar que abria mão da herança. Ela disse, na época, que não se sentia segura com a atuação de seu advogado, tanto no aspecto judicial quanto pessoal. A detenta afirmou à Justiça que pretendia se reaproximar do irmão, Andreas, que nunca mais falou com ela.
O recurso pedia anulação de decisão, que havia revogado o regime semiaberto. A defesa alegou que ela se manifestou sem assistência jurídica técnica. Foi pedido ainda que a progressão datasse da primeira concessão do benefício, mas a Justiça não atendeu.
“Não há como se deferir a almejada progressão com os efeitos retroativos por dois motivos: a agravante declarou que não havia autorizado seu advogado constituído a pleitear a progressão de regime, bem como pela inexistência de previsão legal, devendo iniciar-se o cômputo do novo lapso temporal para a progressão a regimes menos gravosos a partir da efetiva concessão da progressão do regime”, disse o relator do caso, desembargador José Damião Pinheiro Machado Cogan.
A decisão também recomenda ao juízo de origem que analise a possibilidade da permanência de Suzane na unidade prisional em que cumpre a pena, caso já tenha sido instalado o regime semiaberto. Em abril, a Secretaria de Administração Penitenciária inaugurou um novo pavilhão em Tremembé para atender as mulheres que estão nesse regime, e isso pode evitar uma transferência de Suzane.
Em março deste ano, a esposa de Suzane, Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, foi transferida para o regime semiaberto e deixou a penitenciária, onde as duas viviam juntas em uma área destinada a casais.
Beneficiada por ter cumprido parte da pena, Sandra foi transferida para um Centro de Ressocialização Feminino em São José dos Campos. Condenada a 24 anos de prisão por sequestro seguido de morte, ela já havia cumprido pena no local em 2010. Suzane e Sandra se casaram em setembro de 2014.
RELEMBRE O CASO RICHTHOFEN.
Suzane foi presa pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia, em 2002. Ela planejou e executou o crime com o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian.
Suzane e Daniel se conheceram em 1999 e começaram um relacionamento pouco tempo depois. Ambos tornaram-se muito próximos, contudo, o namoro não tinha o apoio das famílias, principalmente dos Richthofen, que proibiram o relacionamento. O trio, então, criou um plano para simular um latrocínio e assassinar o casal Richthofen, assim os três poderiam dividir a herança de Suzane.
Mas em março deste ano, a Justiça determinou que a herança da família seria entregue apenas ao irmão de Suzane, Andreas Albert. Na sentença, o juiz determinou que ela deveria ser excluída da partilha dos bens por considerá-la “indigna”. A herança é calculada em mais de 3 milhões de reais.
