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Eleições 2026: candidato à Presidência da República Romeu Zema evita crítica a Flávio em convenção, de olho em aliança com o partido de Bolsonaro no segundo turno

Questionado durante o evento sobre o recuo nas críticas ao presidenciável do PL, Zema foi sucinto. (Foto: Divulgação/TVE)

O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, usou seu primeiro discurso após ter sido escolhido pelo seu partido para disputar o Palácio do Planalto para focar em críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma inflexão na postura adotada há algumas semanas, Zema evitou criticar Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente, e ignorou a proximidade do adversário na corrida eleitoral com Daniel Vorcaro, preso após protagonizar o escândalo de fraude financeira do banco Master.

Questionado durante o evento sobre o recuo nas críticas ao presidenciável do PL, Zema foi sucinto. O ex-governador de Minas Gerais evitou inclusive citar o nome de Flávio durante o evento.

“O que eu tinha de falar sobre o candidato, eu já disse, já me manifestei”, disse em uma das ocasiões.

Em outra ocasião em que foi provocado a falar sobre o candidato do PL, ele voltou a dizer que não comentaria e aproveitou para criticar o Supremo Tribunal Federal (STF).

“As minhas críticas já foram feitas. Eu acho que não vale a pena você ficar repetindo, mas continuarei combatendo com todas as forças esse que é o maior câncer do Brasil, que é a corrupção. Principalmente com mudanças no Judiciário, onde estão muitas vezes a origem da maioria dos problemas.”

Em outro momento, o ex-governador criticou os ministros do STF Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e os associou ao caso Master.

“Eu quero que o Brasil acabe com essa farra dos intocáveis, nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu. Inclusive estou respondendo com muito orgulho um processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes”, disse Zema. “Mas eu quero frisar aqui que quem andou no jatinho do banqueiro bandido foram os colegas dele, não fui eu. Quem conseguiu contrato de R$ 129 milhões com uma esposa foi o colega dele, quem fez uma transação no Tayayá foi outro colega dele”, completou.

No dia 13 de maio, quando o site Intercept revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Zema fez críticas duras a Flávio.

“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, declarou na época.

Em outras ocasiões, Zema também chegou a dizer que “assombração sabe para quem aparece” e que “nunca foi próximo” de Flávio.

Agora, o candidato a presidente do Novo tem adotado um discurso similar ao de Flávio e mirado em Lula e ministros do STF. Há uma avaliação de que os candidatos do Novo e do PL estarão juntos em um eventual segundo turno contra o petista.

Em um tom que deve marcar sua campanha presidencial, Zema disse que uma de suas principais virtudes é ser um candidato antipetista. Ele também mencionou que entrou na política, ao disputar o governo de Minas pela primeira vez em 2018, porque era contra as gestões do partido no estado e no governo federal.

“Minha bandeira é estar contra o PT. Eu vi o PT destruir o Brasil”, declarou.

Uma das preocupações da direção partidária do Novo é manter pontes com o PL e o bolsonarismo nos estados. A legenda, que hoje tem quatro deputados federais e um senador, tem a expectativa de eleger de 15 a 20 deputados e três senadores.

Em alguns casos, o partido conta com o auxílio do bolsonarismo para isso. Os pré-candidatos ao Senado Marcel Van Hattem (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Ricardo Salles (Novo-SP) têm sinalizado proximidade com o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A interlocutores, Zema já disse que qualquer um dos que hoje se apresentam como candidatos a presidente, como Flávio, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), seria melhor que Lula.

Agora, a aliados, o candidato do Novo tem adotado um tom mais cauteloso em relação a Flávio e o escândalo do Master. Zema tem dito que não cabe a ele fazer julgamento se Flávio é corrupto ou não e que as investigações precisam avançar para haver uma clareza.

Na semana passada, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o financiamento do filme Dark Horse.

A investigação busca esclarecer se o dinheiro enviado ao exterior para financiar o longa teve, na prática, outra destinação. A suspeita é que parte da produção tenha sido bancada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o envio de R$ 61 milhões. (Com informações do jortal O Globo)

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