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Eleições 2026: ministro do Desenvolvimento Social vê necessidade de melhora na pré-campanha de Lula

O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, admite que a divulgação das ações do governo do presidente Lula precisa melhorar. (Fotos: Roberta Aline/MDS)

O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, admite que a divulgação das ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa melhorar, vê “instrumentos desafinados” na pré-campanha e necessidade de “organizar a orquestra”. Mesmo assim, está otimista.

Embora pesquisas de intenção de voto indiquem queda na popularidade de Lula, Dias avalia que a eleição deste ano será mais fácil do que a de 2022, quando o petista venceu o então presidente Jair Bolsonaro (PL) por uma diferença de 2 milhões de votos.

“O que é que falta? Falta organizar a orquestra. A orquestra ainda tem instrumentos desafinados. Agora é afinar os instrumentos. Mas temos um bom repertório”, afirmou o ministro, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Ex-governador do Piauí, Dias integra o grupo da velha guarda do PT que toda semana se reúne para discutir os rumos da campanha de Lula e coordena as articulações políticas do Nordeste. A região já foi batizada de “Cinturão Vermelho”, mas, nos últimos tempos, o PT vem perdendo votos ali. Veja abaixo alguns trechos da entrevista.

– O sr. vai coordenar a campanha do presidente Lula no Nordeste, região que antes era conhecida como “Cinturão Vermelho” e onde hoje o PT tem perdido apoio. Qual é a estratégia para recuperar esses votos? “O Nordeste é uma região estratégica desde a primeira eleição do presidente Lula. Sou otimista e digo que temos, inclusive, palanques bem fortes em nove Estados. Lá foi onde a fome e a pobreza mais cresceram e onde também são mais visíveis os investimentos feitos de 2023 para cá. Por isso, acho que também haverá um reconhecimento nas eleições.”

– Na última reunião ministerial, o então titular da Casa Civil, Rui Costa, reclamou da comunicação do governo. O sr. disse que faltou apoio da base. Qual dos dois fatores teve mais peso para o cenário de hoje? “Eu digo que os dois (risos). Vamos lembrar que o presidente Lula foi eleito em 2022, uma eleição dificílima. Quando me falam sobre as dificuldades da eleição de 2026, eu digo: ‘Difícil mesmo foi 2022’.”

– Mas esta eleição vai ser mais difícil, não? “Eu digo que não. Em 22, nós tínhamos o fato de estar fora do governo. Mas o destaque é que, hoje, nós temos melhores palanques. Em Minas Gerais, por exemplo, (teremos) palanque com o ex-presidente do Congresso Rodrigo Pacheco, (Alexandre) Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, Marília (Campos), ex-prefeita de Contagem. Se você observar, a gente tem hoje nos Estados – no Rio, com Eduardo Paes, o próprio Fernando Haddad, em São Paulo – um quadro de candidaturas muito mais potente do que em 22. A gente saiu de uma fase de destruição para a de reconstrução.”

Só que não há, por parte da sociedade, essa percepção, não é? “A gente era a 8ª maior economia, tinha chegado à 12ª, 13ª e agora volta para o grupo das dez maiores economias. Veja que, no momento em que o mundo todo está perdendo a economia com as guerras, o Brasil se mantém com crescimento. Menor do que poderia ser, mas em crescimento e recuperação social. Aqui o que é que falta? Organizar a orquestra. A orquestra ainda tem instrumentos desafinados. Agora é afinar instrumentos, afinar a orquestra. Temos um bom repertório.”

– Quais instrumentos estão desafinados? O sr. se refere à comunicação? “Na prática, a comunicação não pode ser colocada apenas na responsabilidade de uma pessoa. Não vai ser o Sidônio (Palmeira), o ministro da Secretaria de Comunicação Social, não vai ser uma agência. É possível se trabalhar com pesquisas, mas é necessário que, em cada lugar, cada vereador, líder social, deputado, pré-candidato, prefeito, ou seja, cada simpatizante possa ter sintonia com aqueles pontos que a população reconhece e valoriza. Quem desconhece que o presidente Lula trabalha com prioridade social? Mas pouca gente está falando, por exemplo, dos efeitos econômicos. Tem uma geração que, lá atrás, estava se formando e não tinha vaga para emprego. Não tinha a expectativa de colocar um pequeno negócio. Isso agora é realidade. Eu, pessoalmente, comemoro: 93% dos novos empregos é o povo do Cadastro Único Social, do Bolsa Família. Quando a gente olha os pequenos negócios, 5,5 milhões deles vêm do povo do Cadastro Social, do Bolsa Família.”

– Pesquisas mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico com o presidente Lula no segundo turno. A que o sr. atribui esse desgaste de imagem do governo? “Em uma eleição que vai polarizar muito, a possibilidade de vitória do presidente Lula no primeiro turno é real. Tem uma quantidade de eleitores que está em silêncio. Ultimamente, é muito mais potencializada a rejeição. Quem é mais contra? O que aconteceu foi que, rapidamente, a candidatura de Flávio Bolsonaro minguou várias outras candidaturas.”

– Quando o PT começará a discutir o pós-Lula e quem poderá ser esse sucessor? “É um grande desafio. Nós estamos falando de um líder que é um dos maiores do Brasil e do mundo. Substituir não será fácil. Eu preferia não falar de nomes agora. E, apesar do meu otimismo, nada de sapato alto, nada de ‘já ganhou’.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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