A evolução patrimonial de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), e Belline Santana, ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, foi o gatilho para a autoridade monetária abrir uma investigação interna sobre o caso do Banco Master.
A sindicância encontrou evidências de aumento patrimonial incompatível com os rendimentos deles. Em janeiro, data da mais recente atualização no Portal da Transparência, o salário bruto de Santana foi de R$ 45.947,05 – quase o teto do funcionalismo público federal (R$ 46.366,19) –, e o de Paulo Sérgio, R$ 38.929,20.
Foram identificados indícios da participação de Paulo Sérgio na venda fictícia de uma propriedade em modelo semelhante ao do resort de luxo Tayayá, mas em escala reduzida. O vendedor recebe o pagamento pelo imóvel feito a valor de mercado, mas, na prática, ele continua podendo usufruir da propriedade.
O ex-diretor vendeu uma propriedade rural por R$ 3 milhões para um fundo de investimentos controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master. A informação foi noticiada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela Folha.
A mudança abrupta no padrão de vida de Santana foi observada por funcionários do BC. Havia comentários sobre o ex-chefe do departamento ter se mudado da zona leste para um apartamento de alto padrão em região nobre da capital paulista.
As investigações do caso apontam que Vorcaro manteve interlocução direta e frequente com os dois servidores, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Master e encaminhando documentos e minutas de normas do órgão regulador. Eles teriam alertado o ex-banqueiro sobre o monitoramento que o BC fazia sobre o banco.
No despacho de André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) são relatadas mensagens em que Vorcaro solicitava aos funcionários do BC orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis.
Souza, que passou a ocupar o cargo de chefe-adjunto do departamento de Supervisão Bancária em 2023, foi afastado do posto no BC a pedido de Gabriel Galípolo depois da liquidação do Master, em novembro do ano passado.
O sentimento na cúpula do Banco Central é de confiança de que foram casos isolados e de que a credibilidade da instituição será preservada, de acordo com duas fontes. (Com informações da Folha de S.Paulo)
