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Em 1980, o cidadão brasileiro médio era 15 vezes mais rico do que o chinês, mas em 2016 o poder aquisitivo do povo asiático ultrapassou o do brasileiro

Poder de compras do brasileiro está menor do que o do chinês. (Foto: Freepik)

Em 1980, o cidadão brasileiro médio era 15 vezes mais rico do que o chinês. Com o forte crescimento do país asiático e as crises sucessivas do Brasil, a diferença foi diminuindo gradualmente. Em 2016, o poder aquisitivo chinês ultrapassou o brasileiro. A renda per capita anual da China (em paridade do poder de compra – PPC) atingiu US$ 15.399 em 2016, pouco acima dos US$ 15.242 do Brasil, segundo estatística do FMI.

O cálculo em PPC leva em conta os diferentes custos de vida dos países e permite, com isso, que os níveis de renda sejam comparados de forma adequada. A China não foi a única nação em desenvolvimento que deixou o Brasil para trás na última década. Os cidadãos da Tailândia, do Panamá, de Botsuana, da República Dominicana, da Costa Rica e do Uruguai também se tornaram mais ricos que os brasileiros. A renda do Brasil era o triplo da média dos países em desenvolvimento e emergentes em 1980, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional) . Em três décadas e meia, essa vantagem caiu pela metade.

A tendência de empobrecimento relativo é resultado da dificuldade que o Brasil enfrenta em sustentar taxas de crescimento estáveis e altas por longos períodos. O problema foi agravado pela severa recessão enfrentada pelo país desde o segundo trimestre de 2014. “Atualmente, há poucos casos de países em situação pior que a do Brasil”, afirma Alberto Ramos, diretor de pesquisas do banco Goldman Sachs para a América Latina.

Para Ramos, mesmo nos anos de bom desempenho do Brasil – a economia chegou a crescer em média 4,5% entre 2004 e 2010 –, o otimismo com o País era exagerado. Na década passada, prevalecia a percepção entre analistas de que o Brasil finalmente iria decolar, porém nos últimos anos o País acabou devolvendo parte dos avanços. A economia brasileira chegou a representar 3,6% do PIB (Produto Interno Bruto) global em 2011. Em 2016, essa fatia foi para 2,4%. O problema, segundo economistas, é que o Brasil crescia embalado por fatores como uma forte expansão do ciclo de commodities, mas pouco avançava em reformas estruturais e institucionais. “Era evidente que o setor público estava alocando mal os recursos que arrecadava”, afirma Ramos.

Segundo Robert Wood, analista-chefe da Economist Intelligence Unit (EIU) para a América Latina, um sinal disso era a persistência de uma baixa taxa de investimento. “Não é possível crescer de forma sustentada sem investimento e poupança”, afirma. Além de investir pouco e mal em infraestrutura e inovação, o país não tem conseguido melhorar a qualidade de sua educação, embora a escolaridade média da população tenha avançado. A consequência disso é que a produtividade do trabalhador brasileiro e da economia como um todo praticamente não tem avançado.

A pequena exposição do Brasil ao comércio exterior – as exportações e as importações representam fatia pequena do PIB no País – contribui para esse cenário. Países mais abertos têm mais acesso a tecnologias avançadas de produção.

A produtividade é uma medida da eficiência com que os recursos de um país –máquinas e capital humano– são utilizados. Se ela não aumenta, o crescimento emperra. Parte do problema, segundo o economista Rodrigo Zeidan, é a corrupção, que faz com que os recursos públicos sejam mal empregados e dificulta a adoção de medidas para melhorar o ambiente de negócios do Brasil. “Se não aproveitarmos o atual momento para reduzir a corrupção, correremos sério risco de continuar regredindo”, diz Zeidan, que é professor associado da New York University Shanghai.

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