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Em áudio, Daniel Vorcaro relata pagamentos de R$ 30 milhões para filme sobre Lula em troca de negócios

A PF afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem da revista.(Foto: Arquivo/Master)

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, teria negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pagamentos para obter acesso a recursos de fundos de pensão de servidores federais. As informações foram divulgadas pela revista Veja nessa sexta-feira (9), com base em áudios e documentos atribuídos ao empresário.

Segundo a publicação, Vorcaro descreveu um repasse de aproximadamente R$ 30 milhões, “por fora, ou seja, em espécie”, para custear o documentário Lula, lançado em 2024 e dirigido por Oliver Stone.

Em um dos áudios divulgados, o ex-banqueiro compara o suposto pagamento relacionado ao filme sobre Lula ao financiamento de “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que contou com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL).

“Tem o negócio do filme. O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, né? Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio”, diz a voz atribuída a Vorcaro.

Negociações e delação 

De acordo com a Veja, o documento atribuído a Vorcaro menciona o Banco do Brasil, o Instituto Lula e seu diretor, Paulo Okamotto. A suposta negociação envolveria o pagamento de 10% dos valores arrecadados em operações relacionadas a recursos administrados por entidades de previdência.

O empresário Augusto Lima, sócio de Vorcaro, também é citado como intermediário das tratativas com Vaccari. A publicação afirma que o acordo não avançou e que o ex-banqueiro teria se comprometido a apresentar provas no âmbito de uma colaboração premiada.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) não deu prosseguimento às tratativas. Em nota, o órgão informou que Vorcaro não prestou depoimento oral e que as negociações foram conduzidas exclusivamente por seus advogados.

A defesa do ex-banqueiro repudiou a divulgação dos documentos e afirmou não reconhecer a origem, a autenticidade e a integridade do material. O advogado Daniel Bialski também declarou que Vorcaro não prestou novo depoimento à Polícia Federal (PF) sobre os supostos pagamentos.

PF

Em nota, a PF afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem e não entregou à instituição documentos ou informações sobre os supostos repasses.

A corporação acrescentou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. A PF também informou ter recebido, nessa sexta-feira (9), uma notícia-crime com pedido de providências para apurar fatos relacionados à publicação.

O grupo jurídico Prerrogativas havia solicitado a abertura de investigação. Segundo seu coordenador, Marco Aurélio Carvalho, o grupo recebeu informações de que Vorcaro teria sido induzido a declarar que financiou o documentário em troca de benefícios judiciais.

O PT, por sua vez, acusou a revista de tentar interferir no processo eleitoral e afirmou que adotará medidas judiciais contra acusações que considera infundadas. A legenda também alegou que a divulgação busca desviar a atenção das relações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.

O senador confirmou ter pedido recursos ao ex-banqueiro para financiar Dark Horse, mas afirmou que se tratava de financiamento privado e negou irregularidades. Segundo informações divulgadas anteriormente pela imprensa, os dois negociaram um repasse de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões.

A Previ, citada nas supostas tratativas, afirmou que não possui exposição ao Banco Master e que a instituição nunca teve habilitação para operar com a entidade. (Com informações da Gazeta do Povo)

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