Em conversa privada, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello e Gilmar Mendes reclamaram da greve dos caminhoneiros que paralisa as estradas do País. Como os microfones estavam ligados, parte do diálogo foi transmitido. “É um absurdo, quer dizer, faz-nos reféns”, diz Celso de Mello.
A declaração ocorreu durante a sessão desta quinta-feira (24), enquanto votavam para reconduzir Rosa Weber ao segundo biênio no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Celso e Gilmar conversaram em tom de voz baixo.
“Que crise hein? Guiomar está na rua agora, está impossível…”, disse Gilmar, em referência à sua mulher, Guiomar Mendes.
“Tudo bem que possam até ter razão aqui ou ali, mas é um absurdo”, interrompe Celso de Mello, o mais antigo da corte. “Minha filha está vindo de São Paulo”, continua Celso.
O áudio então é cortado. O teor do áudio foi divulgado pelo site Jota e está aberto pela TV Justiça na internet.
Desde segunda-feira, os caminhoneiros fazem bloqueios em rodovias federais em 22 Estados e no Distrito Federal para protestar contra o custo do diesel. O preço do petróleo subiu e a Petrobras repassa as flutuações nas cotações internacionais às refinarias.
Proposta do governo
Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Eduardo Guardia (Fazenda) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) anunciaram na noite desta quinta-feira (24), no Palácio do Planalto, que foi fechado acordo com entidades representantes dos caminhoneiros para suspensão dos protestos da categoria por 15 dias, quando as partes voltarão a se reunir.
Veja pontos do acordo:
Preço do diesel será reduzido em 10% e ficará fixo por 30 dias. Nesse período, o valor referência será de R$ 2,10 nas refinarias; Os custos da primeira quinzena com a redução, estimados em R$ 350 milhões, serão arcados pela Petrobras. As despesas dos 15 dias restantes ficarão com a União como compensação à petrolífera; A cada 30 dias, o preço do diesel será ajustado conforme a política de preços da Petrobras e fixado por mais um mês; A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai contratar caminhoneiros autônomos para atender até 30% da demanda de frete. O governo editará uma medida provisória; Não haverá reoneração da folha de pagamento do setor de transporte rodoviário de cargas; Tabela de frete será reeditada a cada três meses; Cide, imposto que incide sobre os combustíveis, será zerado em 2018; Ações judiciais contrárias ao movimento serão extintas; Multas aplicadas aos caminhoneiros em decorrência da paralisação serão negociadas com órgãos responsáveis; Entidades e governo terão reuniões periódicas a cada 15 dias; Petrobras contratará caminhoneiros autônomos como terceirizados para prestação de serviços.
