Ícone do site Jornal O Sul

Em busca de aproximação, o Partido Comunista da China convidou a bancada do partido de Bolsonaro para uma visita ao país

A imprensa de Pequim alerta que o futuro presidente brasileiro não deve misturar negócios com ideologia. (Foto: Reprodução)

O Partido Comunista da China convidou membros do PSL, o partido de Jair Bolsonaro, para uma visita ao país oriental. A ideia é buscar uma aproximação com o presidente eleito, na esperança de que os interesses comerciais superem as diferenças ideológicas. No último dia 15, representantes diplomáticos de Pequim no Brasil enviaram uma carta ao comando da sigla, manifestando a disposição em receber uma delegação de até dez integrantes.

“Recebemos o convite e eu vou levar para a bancada discutir, mas é uma decisão do partido no fim das contas”, declarou em entrevista o presidente do partido, deputado federal Luciano Bivar (PE). Ele acrescentou que ainda não há decisão sobre o convite, que classificou como “muito bem-vindo”, mas fez a ressalva de que deverá procurar a embaixada para discutir datas.

Na sua avaliação, a aceitação do convite não se choca com a linha do futuro governo. “É uma questão de diplomacia entre dois partidos, uma relação civilizada do mundo moderno”, avaliou. Outro integrante do partido, o deputado e senador eleito Major Olímpio, não vê problemas em aceitar o convite dos chineses: “Não vejo por que não, afinal a China hoje é o nosso maior parceiro comercial”.

Assim que Bolsonaro venceu, a imprensa chinesa que serve de porta-vozes para o Partido Comunista destacaram o risco que o Brasil correria se modificasse o tratamento dispensado à Pequim. No jornal “China Daily”, por exemplo, o alerta era de que criticar Pequim “pode servir para algum objetivo político específico, mas o custo econômico pode ser duro para a economia brasileira, que acaba de sair de sua pior recessão da história”.

“Ainda que Bolsonaro tenha imitado o presidente dos Estados Unidos ao ser ultrajante para captar a imaginação dos eleitores, não existe razão para que ele copie as políticas de Donald Trump”, acrescentaram os chineses.

Anticomunismo

O alerta da China sobre o perigo de o futuro governo brasileiro misturar negócios com restrições ideológicas, sem saber separar as coisas, é motivado por manifestações de Bolsonaro e aliados em relação a uma postura de repúdio ao socialismo e ao comunismo.

Ao longo de sua campanha eleitoral, o então candidato presidencial do PSL chegou a criticar a própria China. Para piorar, em fevereiro ele havia visitado Taiwan, o que irritou as autoridades de Pequim. Também há, desde a semana passada, uma percepção entre os diplomatas chineses de que o futuro chanceler, Ernesto Araujo, dará uma atenção especial às relações com o governo americano de Donald Trump.

Um dos filhos do presidente eleito, o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) também contribuiu para a polêmica: durante o seu mandato ainda vigente, ele propôs um projeto de lei para “criminalizar o comunismo”.

A carta

Agora, a estratégia é a de não se afastar de Brasília e o primeiro gesto seria por meio do PSL. “Com o objetivo de aprofundar o conhecimento mútuo, o Departamento internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China tem a honra de convidar uma delegação do PSL (dez membros) para visita à China no ano corrente”, diz a carta dos chineses.

“A proposta do tema da visita é intercâmbio de experiências de governança e cooperações pragmáticas entre os partidos”, diz o texto, que usa a referência ao pragmatismo como forma de mandar um recado ao novo governo brasileiro, que tem prometido não ser guiado por “ideologia”.

Os chineses deixam claro que bancariam toda a viagem. “As despesas de passagem internacional, alimentação e alojamento na China serão cobertas pela parte chinesa”, esclarece a carta. “Seríamos muito agradecidos se o PSL pudesse apresentar a sua proposta de visita (data, composição de delegação e temas de interesse).”

 

Sair da versão mobile