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Em carta a católicos, PT critica quem transforma igreja em palanque

De acordo com esses relatos, Lula reclamava com Sidônio do tom festivo de uma peça publicitária produzida pela Secom, lembrando que já havia se manifestado contrário a esse estilo de propaganda. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou na tarde dessa quarta-feira (1º) uma carta voltada a católicos em mais um gesto de aproximação com o segmento. O texto foi elaborado após o partido de Luiz Inácio Lula da Silva realizar um encontro com católicos, no dia anterior. A iniciativa também ocorre semanas após a sigla organizar um evento com evangélicos e também divulgar uma carta voltada a esse público.

No documento, o partido foge das chamadas pautas de costumes e critica a tentativa de usar a religião para fins eleitorais. O grupo defende a reeleição de Lula, fala na importância do Estado laico e da tolerância religiosa, além de criticar o que chamam de “transformação de igrejas em palanques”.

“Queremos encantar a política, resgatando sua dignidade pela educação popular, pela participação cidadã e pelo compromisso com o bem comum. Denunciamos condutas parlamentares que transformam igrejas em palanques e que traem o mandato recebido do povo ao se colocarem contra direitos sociais, trabalhistas e democráticos. Do mesmo modo, apoiamos candidaturas populares comprometidas com a soberania nacional e com a dignidade da classe trabalhadora e das populações vulnerabilizadas”, diz o texto.

Na carta, o partido também lista programas sociais implementados em gestões petistas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia, além de demonstrar apoio ao fim da escala 6×1 e da tarifa zero para transportes públicos, “por expressarem o compromisso com o tempo digno, a mobilidade e os direitos sociais”.

Os católicos do PT também dizem no documento que defendem a reeleição de Lula e que para ampliar essas conquistas eles apoiam nas eleições deste ano “um projeto comprometido com a igualdade, a dignidade e o cuidado com a casa comum”.

“Defendemos uma prática política orientada pela legalidade do Estado Democrático de Direito e pelo respeito às instituições. O voto deve ser fruto de um olhar atento à trajetória pública das candidaturas, aos compromissos que assumem e aos impactos reais de seus projetos sobre a vida do povo brasileiro”, diz o texto.

Em outro momento na carta, os católicos do PT reafirmam compromisso com a democracia e dizem que “defender a dimensão democrática é proteger a vida pública contra o autoritarismo e toda forma de exclusão”.

O voto do segmento religioso é disputado pelas campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e oposicionistas do presidente buscam usar a pauta de costumes para atacar o governo e seus aliados.

O coordenador nacional do setor inter-religioso da sigla, Gutierres Barbosa, nega que haja um interesse eleitoreiro do partido nesse movimento e afirma que a história do PT “se confunde com a própria história dos movimentos progressistas dos segmentos religiosos no Brasil”.

Lula já falou mais de uma vez publicamente que é contra o que classifica como explorar a fé para fins eleitoreiros e rejeita participar de cerimônias religiosas como cultos. Apesar disso, desde o ano passado, o petista intensificou acenos aos religiosos, com encontros com essas lideranças e menções em seus discursos.

A jornalistas, na terça (30), Barbosa afirmou que o debate sobre o aborto está “superado” no PT. O tema não aparece na carta divulgada hoje e é usado frequentemente por oposicionistas para desgastar o próprio PT e Lula.

“Isso está superado dentro do PT. Não estamos nem tratando disso dentro do PT e não é porque estamos ocultando nada, todos os temas precisam ser dialogados e conversados, numa sociedade democrática você ouve quem é a favor e quem é contra. Eu diria que esse tema está muito superado dentro do PT e é por isso que ele não aparece em nenhuma discussão, [não aparece nas] plenárias de mulheres, das comunidades LGBT, da juventude. Está superado porque nós estamos preocupados com o nosso país, tem muita coisa pra gente cuidar, nós pegamos um país destroçado. Vamos falar da vida? Vamos fazer um debate coerente com a sociedade: quem foi que defendeu a vida no período da pandemia? Nós defendemos a vacina, eles mataram 700 mil. Defender a vida é defender a vida plena, não é defender um tema. É defender a vida na sua plenitude”, disse.

Gutierres Barbosa afirmou ainda que cerca de 86% dos filiados do PT são cristãos — católicos ou evangélicos — e que esse movimento de diálogo com o segmento religioso foi intensificado nos últimos anos diante do “avanço do conservadorismo no Brasil e do ódio”, além de ser necessário fazer frente à desinformação. (Com informações do jornal O Globo)

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