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Em carta ao ministro Celso de Mello, Bolsonaro disse que o Supremo é “o guardião da Constituição”

(Foto: Reprodução de TV)

O candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, enviou na segunda-feira (22), uma carta ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello após o magistrado classificar como “inconsequente e golpista” as declarações do filho do candidato, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que disse que bastam “um soldado e um cabo” para fechar o Supremo.

No texto enviado ao decano, o presidenciável afirma que o Supremo é o “guardião da Constituição” e que “todos temos de prestigiar a Corte”. Na carta, Bolsonaro falou ainda em “angústias” e “ameaças” sofridas durante a campanha das eleições 2018 – o candidato sofreu um atentado no dia 6 de setembro em Juiz de Fora (MG). “Quero, por escrito, deixar claro que manifestações mais emocionais, ocorridas nestes últimos tempos, se mostram fruto da angústia e das ameaças sofridas neste processo eleitoral.

Outros ministros do Supremo também se manifestaram sobre as declarações de Eduardo Bolsonaro. Alexandre Moraes afirmou que fala de deputado é “absolutamente irresponsável” e pediu investigação da PGR (Procuradoria Geral da República). Em nota oficial, o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, saiu em defesa da Corte e afirmou que “atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”.

Na segunda-feira, Bolsonaro já havia se pronunciado sobre as declarações do filho. “Eu já adverti o garoto”, afirmou o candidato sobre o filho de 34 anos. “É meu filho. A responsabilidade é dele. Ele já se desculpou. Isso aconteceu há quatro meses. Ele aceitou responder a uma pergunta sem pé nem cabeça, e resolveu levar para o lado desse absurdo aí. Temos todo o respeito e consideração com os demais poderes, e o Judiciário obviamente é importante.”

Sérgio Moro

A sinalização de Jair Bolsonaro (PSL) de que, se eleito presidente, pode indicar o juiz Sérgio Moro para o STF (Supremo Tribunal Federal) não caiu bem nas cortes superiores, segundo informou a colunista do jornal Folha de S.Paulo Mônica Bergamo.

Segundo um magistrado, não é “normal” a indicação de um juiz de primeira instância para o mais importante tribunal do País. Em geral, quando a escolha recai sobre a magistratura, a disputa se dá entre ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou desembargadores de tribunais regionais e de justiça dos Estados.

Levar o juiz ao Supremo furando fila, diz outro ministro, é como colocar um soldado para comandar os generais. Bolsonaro ainda cria arestas no STJ: vários dos ministros da corte sonham um dia ir para o Supremo.

Leia a carta de Jair Bolsonaro na íntegra:

“Exmo. Sr. Dr.

Ministro Celso de Mello

E.m.

Senhor Ministro,

Tomo a liberdade de encaminhar esta carta à Vossa Excelência, diante do noticiário recente. É meu dever, como cidadão, manifestar meu apreço por Vossa Execelência, seja pela conduta impecável no exercício de jurisdição, seja pela forma ponderada como sempre se manifesta ao público.

Quero, por escrito, deixar claro que manifestações mais emocionais, ocorridas nestes últimos tempos, se mostram fruto da angústia e das ameaças sofridas neste processo eleitoral. O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição e todos temos de prestigiar a Corte.

Cordialmente,

Jair Messias Bolsonaro.”

 

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