Varou pela madrugada o tradicional jantar de confraternização de fim de ano na casa do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O espírito natalino, por algumas horas, amenizou o clima pesado na política deixada pela Operação Lava-Jato em 2017. Ao lado do anfitrião da festa, que reuniu a cúpula da República, do Executivo, do STF (Supremo Tribunal Federal), do TCU (Tribunal de Contas da União) e do Congresso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passou a noite em uma mesa mais isolada com o ministro do STF, Dias Toffoli. O encontro marcou também o retorno do senador Aécio Neves aos eventos de parlamentares.
Aécio dividiu uma mesa com o conterrâneo e também tucano senador Antônio Anastasia.
“Aécio está enfrentando e voltando a quase normalidade, tem participado mais ativamente da atividade parlamentar, no plenário, está quase perto da normalidade”, comentou um senador do PMDB sobre o tempo que passou recluso em função do afastamento do mandato determinado pelo STF.
Mesmo com as presenças de Aécio e Toffoli, que na semana passada pediu vista e impediu a conclusão da votação do processo que restringe o foro privilegiado para parlamentares, sem prazo para voltar, o assunto que dominou as rodas de conversas era a dificuldade de votação da reforma da Previdência.
A formação de alianças e candidaturas nos Estados também foi discutida em bate-papos entre os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco ( Secretaria Geral) .
Temer
Já o presidente Michel Temer, que mais cedo participou de seguidas reuniões sobre Previdência e se submeteu a novos exames urológicos, fez uma passagem-relâmpago pelo jantar. Segundo os presentes estava mais sério que de costume, além da já conhecida formalidade.
“Não digo que Temer tenha que reduzir o ritmo, mas tem que racionalizar. Afinal ele não tem mais 40 anos, tem que se cuidar”, aconselhava o futuro ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, ao comentar o nível de pressão e o ritmo de trabalho alucinante de Temer nos últimos meses.
Ao contrário da sisudez de Temer, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) era só felicidade. Apresentou aos colegas a nova namorada, a cientista política Elaine, uma bela morena de olhos amendoados. Ironicamente, Integra o governo de Temer como assessora parlamentar do ministro da Educação Mendonça Filho, do Democratas, a qual parlamentar faz ferrenha oposição.
“A Elaine é meu único ponto de intersecção com esse governo. Mas em casa não conversamos sobre política. Nos conhecemos em 2011, nos afastamos e em 2016 nos reencontramos e começamos a namorar. Entre idas e vindas a política nos afastou e nos reaproximou”, contou um apaixonado Randolfe.
Lula
Em uma mesa com o senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o conterrâneo senador Jorge Viana (PT-AC) garantia que no caso de o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, confirmar, em janeiro, a condenação do ex-presidente Lula pelo caso do triplex, ele manterá sua candidatura.
O vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), famoso por sua leitoa à pururuca, chegou à festa carregando um saco plástico com potes e uma garrafa de cachaça Havana.
“É sorvete de queijo e cachaça para dona Mônica”, contou o deputado mineiro sobre os presentes para a dona da casa e esposa de Eunício, Mônica.
As parlamentares mulheres e mulheres dos convidados foram presenteadas com peças de cristal Wolf.
Sem vinho
Embora o senador José Serra (PSDB-SP) tentasse esquecer o episódio que deu o que falar no jantar retrasado, quando a senadora Kátia Abreu (sem partido-TO) lhe jogou vinho por não ter gostado de uma brincadeira sobre seus namoros, o assunto volta e meia era lembrado. Kátia foi ao jantar com o marido e ficou numa mesa afastada. Serra, blindado na mesa de Renan Calheiros (PMDB-AL) com sua esposa Verônica. O tucano disse que nem viu Kátia, mas não escapou de ser ironizado pelos colegas.
“Que hora vai começar o ritual do vinho?”, provocou o senador José Medeiros (Podemos-MT).
“Todo mundo veio com a expectativa do reencontro do Serra com a Kátia. Os dois personagens estavam presentes, mas não aconteceu”, ria o senador Hélio José (Pros-DF).
“Todos queriam saber se ia se repetir a cena do vinho, mas hoje estavam civilizados, se sentaram longe”, completou a senadora Lídice da Mata (PSB-BA).
O jantar movimentou toda a vizinhança de Eunício, com cerca de 150 pessoas e carros espalhados pelas ruas próximas. Ministros disseram que se evitou falar de assuntos sérios no jantar.
“O clima é festivo, só amenidades e Previdência”, disse o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão.
“Nos grupos que andei só falaram porcaria, ambiente de festa”, brincou o ministro da Agricultura Blairo Maggi.
