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Em conferência vazada, Obama descreve a liderança de Trump sobre coronavírus como caótica

Ex-presidente dos EUA criticou quem ataca com "precisão cirúrgica" o direito ao voto e as minorias. (Foto: Reprodução)

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama descreveu o modo como o presidente Donald Trump conduz a pandemia de coronavírus como “caótico” em uma teleconferência com ex-membros de seu governo, disse uma fonte no sábado (9).

Obama se manteve em grande parte fora do assunto, mesmo quando Trump culpou o ex-presidente e seu governo democrata por uma variedade de problemas relacionados à falta de suprimentos suficientes para combater a pandemia que matou mais de 75.000 norte-americanos até o momento.

Mas na ligação de sexta-feira para 3.000 membros da Obama Alumni Association, pessoas que trabalharam em seu governo, Obama fez um apelo aos partidários a apoiar o candidato presidencial democrata Joe Biden, que vai tentar superar Trump nas eleições de 3 de novembro.

Obama disse que a eleição “é muito importante porque vamos lutar não apenas contra um indivíduo ou um partido político”.

“Estamos lutando contra essas tendências de longo prazo, nas quais ser egoísta, tribal, divisivo e ver os outros como inimigos — isso se tornou um impulso mais forte na vida americana”, afirmou. Ele disse que essa é uma das razões pelas quais “a resposta a essa crise global tem sido tão anêmica e irregular”. “Teria sido ruim mesmo com os melhores governos. Tem sido um desastre caótico”, completou.

Eleições nos Estados Unidos

Até março, quando os Estados Unidos começaram a ver o número de doentes crescer vertiginosamente, Donald Trump minimizava o problema e atribuía aos adversários políticos o alarme com o coronavírus.

Trump tinha a seu favor uma economia com crescimento estável e em situação de pleno emprego. Em janeiro, se desvencilhara de um processo de impeachment ao mesmo tempo em que acirrava as tensões com o Irã, no Oriente Médio, e colhia o resultado de um novo acordo de comércio com México e Canadá e um cessar fogo na guerra comercial com a China – temas populares entre seus apoiadores.

Até que o coronavírus, que Trump reputava menos grave do que uma gripe comum, mostrou seu potencial destruidor. De acordo com a avaliação de epidemiologistas, a doença pegou os Estados Unidos despreparados para fazer testagem em massa, rastrear os casos e isolar os doentes. Até 8 de maio, o país registrava cerca de 75 mil mortos e 1,2 milhão de infectados.

“Nos últimos 3 meses, as chances de Trump se reeleger diminuíram. Primeiro porque, até fevereiro, ele planejava fazer uma campanha centrada nos bons resultados da economia, e isso se perdeu completamente. Segundo porque os resultados até agora sugerem uma má gestão da crise de saúde pública, ele não estava preparado”, afirma o cientista político Jonathan Hanson, da Universidade de Michigan.

O show de Trump

Trump não ficou parado diante do derretimento de seu plano inicial de campanha. Ele adotou diferentes estratégias para tentar melhorar a percepção dos eleitores sobre seu trabalho.

A mais visível delas foi assumir, literalmente, o centro do palco e promover por mais de seis semanas conferências de imprensa diárias sobre os esforços do governo no combate ao coronavírus, transmitidas ao vivo pela internet e pela televisão.

Trump, que tem experiência como apresentador de reality show, fazia as vezes de um anfitrião em um programa de convidados, em que sucessivos especialistas da gestão – especialmente os médicos e pesquisadores da força-tarefa contra o vírus – explicavam as ações federais. “Ver o presidente ir a público demonstrar que tem um plano e que pode coordenar os trabalhos é certamente algo que agradaria aos americanos”, diz Hanson.

As sessões, no entanto, começaram a ficar cada vez mais longas (algumas duraram duas horas), os conflitos com a imprensa se multiplicaram (Trump chegou a dizer à repórter da rede CNN que não comentaria sua pergunta porque ela era “fake news”) e o republicano acumulou declarações polêmicas, que acabavam desmentidas rapidamente, como a promessa de uma vacina em poucos meses ou de reabertura das atividades econômicas na Páscoa, o que não aconteceu.

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