Após o juiz Sergio Moro aceitar o convite para ser ministro da Justiça do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) publicou uma série de mensagens em sua conta no Twitter criticando a decisão. Ao final, escreveu: “O juiz está nu”, em letras maiúsculas. A última mensagem, no entanto, foi apagada minutos depois.
Nas outras publicações, que permanecem no ar, Dilma critica Moro por liberar um áudio de uma conversa entre ela e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por condenar Lula “sem provas” e por liberar trechos da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci a seis dias do primeiro turno da eleição presidencial.
“Agora, o juiz Moro anuncia que largará a magistratura para ser ministro do governo que viabilizou a eleição com suas decisões. O rei está nu”, escreveu Dilma.
Convite
O juiz federal Sérgio Moro anunciou na quinta que aceitou convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça no novo governo e disse que pretende implementar uma “forte agenda anticorrupção”.
“Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite”, disse Moro em nota pouco depois de se reunir com o presidente eleito para discutir a oferta feita pelo futuro chefe do Executivo.
“Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão”, acrescentou o juiz, que esteve com Bolsonaro na casa dele, no Rio de Janeiro.
Principal responsável pela operação Lava-Jato, Moro disse que vai se afastar de novas audiências no âmbito da operação “para evitar controvérsias desnecessárias”, mas declarou que a Lava-Jato seguirá em Curitiba sob comando de outros juízes.
O magistrado viajou de Curitiba para o Rio para se reunir com Bolsonaro. Em breve entrevista durante o voo, Moro disse que entender que o País “precisa de uma agenda anticorrupção e uma agenda anticrime organizado”, e que aceitaria o cargo se ficasse clara a possibilidade de implementação dessa agenda e convergência de ideias com Bolsonaro.
De acordo com uma fonte com conhecimento do assunto, Moro já estava decidido a aceitar e só esperava a garantia formal do próprio presidente eleito com as condições pedidas por ele para assumir o cargo: o comprometimento do governo com a aprovação das 10 medidas contra a corrupção preparadas pelo Ministério Público e a ampliação dos poderes do Ministério da Justiça.
Moro quer que o ministério volte a ser integrado com a segurança pública e passe a abarcar também o Ministério da Transparência, que inclui a Corregedoria-Geral da União. As condições já teriam sido conversadas com a equipe de Bolsonaro antes do encontro entre os dois.
Na Justiça Federal em Curitiba será aberto um processo interno para substituir Moro entre os juízes federais que se candidatarem à vaga, com prioridade para o juiz mais antigo. A informação é que os investigações e processos da Lava-Jato não seriam redistribuídos, mas permaneceriam na mesma vara, só que com um novo responsável.
Moro se tornou um símbolo mundial no combate à corrupção em razão da Lava-Jato, e foi quem condenou e decretou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
