Os 12 meninos e o técnico do time de futebol Javalis Selvagens falaram na manhã desta quarta-feira (18) do medo, da fome e da alegria de encontrar os mergulhadores britânicos durante as duas semanas em que ficaram presos em uma caverna na Tailândia.
Após deixarem o hospital, eles contaram como sobreviveram ao resgate dramático que mobilizou mais de 1 mil pessoas, na província de Chiang Rai. O grupo também fez uma homenagem ao mergulhador voluntário Saman Kunan, que morreu durante o resgate.
Ake, como é conhecido o técnico, contou que depois de dois dias ele e os garotos começaram a sentir mudanças no corpo, já que não comiam nada, apenas bebiam água que caía da pedra. Diferentemente do que havia sido divulgado, eles não levaram comida para a cavidade subterrânea.
O mais novo do grupo contou que não tinha força física e que tentava não pensar em comida para não sentir mais fome do que já sentia. Segundo os médicos, os garotos perderam, em média, dois quilos no período em que ficaram presos e recuperaram no hospital cerca de três quilos cada.
Sobre a chegada dos dois mergulhadores ingleses, que os encontraram após os nove dias de buscas, Adul Sam-on, de 14 anos, o único a falar inglês no grupo e o primeiro a se comunicar com eles, disse que foi “um milagre” terem sido encontrados. Ele contou que usou uma tocha para ir em direção às vozes que o grupo escutava. “Foi um choque. O técnico pediu para mantermos calma.” Ele disse que todos ficaram muito felizes por terem sido encontrados. Os meninos afirmaram que perderam a noção do tempo dentro da caverna e que, por isso, perguntaram aos mergulhadores há quanto tempo estavam ali.
O técnico disse que todos concordaram em entrar na caverna em 23 de junho. Eles estavam curiosos sobre o lugar e esperavam sair logo porque tinham uma festa de aniversário para ir. Mas a água subiu e acabaram ficando presos. Eles buscaram, então, um lugar seguro para passar a noite.
O treinador afirmou que, no início, eles não estavam tão assustados, porque imaginavam que, ao amanhecer, o nível da água teria baixado, o que não aconteceu. Um dos meninos relatou que tentaram ficar calmos e “pensar em soluções” para sair da caverna. Eles pensaram até em tentar abrir um buraco para sair. Um dos garotos disse ter ficado “com medo de não voltar para casa”.
No hospital
Durante o período de recuperação no hospital, os meninos viram o jogo final do Mundial. A maioria dos meninos torceu para a França, que ganhou da Croácia por 4 a 2. E um deles elogiou o ataque da seleção francesa.
Os meninos e o técnico foram para a coletiva, que aconteceu em uma sala da administração da província, com o uniforme do grupo. O clima era descontraído, e os garotos se apresentaram sob aplausos. No início da coletiva, foram mostradas imagens do momento em que eles se despediram dos médicos. Uma médica que acompanhava o grupo afirmou que os garotos mostraram um “espírito forte” desde o momento em que estavam presos na caverna.
