A brasileira Margareth Shepard conquistou na terça-feira (7) um cargo nunca antes ocupado por nenhum dos seus compatriotas nos EUA. Em Framingham, uma pequena cidade do Estado de Massachusetts, ela foi eleita para vereadora de um dos distritos locais. No território americano há 25 anos, seu objetivo é incentivar a comunidade brasileira a participar ativamente da vida política, atuando em favor dos imigrantes legais ou indocumentados em tempos de restrições vindo da Casa Branca. Para ela, este é um pequeno passo de uma longa caminhada pela frente, em que espera ver mais representatividade para os imigrantes na hora de escolher os futuros governantes nas eleições legislativas do ano que vem e, até mesmo, nas presidenciais de 2020.
Originária de Inhumas, em Goías, Margareth é dona de uma empresa de limpeza residencial. Começou a vida nos EUA como babá e faxineira. Hoje, assim como muitos outros brasileiros no território americano — apenas em Massachusetts, o governo americano estima que estejam concentrados cerca de 18% de um total de 336 mil, atrás apenas da Flórida, enquanto o Itamaraty fala em mais de 1 milhão de imigrantes em todo o país —, tornou-se empreendedora. Engajou-se na política local há cinco anos, em busca da aprovação de uma lei para permitir que os imigrantes indocumentados também possam tirar carteiras de motorista.
Na votação de terça, recebeu mais de 500 votos no distrito em que concorreu. Pode não parecer muito, mas ela superou em 133 votos o seu único oponente. A futura vereadora contou que a vitória correspondeu ao seu otimismo na campanha e vem como uma demonstração de insatisfação dos moradores locais contra as políticas do presidente Donald Trump para os imigrantes.
“O apoio que recebi da comunidade, imigrantes e não imigrantes, me fez acreditar que este sonho seria possível. Esta é uma resposta à política coercitiva e discriminatória do governo federal, e os residentes de Framingham mostraram que estão sempre prontos a mostrar apoio aos imigrantes”, disse. “Meu trabalho nunca foi nem será individual. Com certeza vamos apoiar outros brasileiros que se candidatem e nossa experiência será dividida. Vamos oferecer todo o apoio político na condução de novas candidaturas.”
Margareth não foi a única brasileira a tentar uma vaga nas instâncias de poder municipais de Massachusetts, o segundo Estado com mais imigrantes originários do Brasil. O corretor de imóveis Pablo Maia também entrou na corrida em Framingham, na esperança de tornar-se um dos dois vereadores que são votados por toda a cidade, e não só um dos seus distritos. Mas ele não teve a mesma sorte: ficou em último lugar entre os quatro concorrentes, após ter levado 1,5 mil votos. Porém, disse que não desanimará e continuará ativo na vida política da sua comunidade.
“Os meus concorrentes já eram muito experientes e são há muitos anos engajados. O nível estava muito alto. Mas agora devo voltar para o meu trabalho e incentivar quem está chegando agora, porque minha missão era abrir os olhos da comunidade brasileira. Nós podemos ser candidatos e podemos ter postos públicos”, disse, celebrando a vitória da sua colega: “É um grande passo. Uma semente plantada. Hoje, quebramos uma barreira.”
No mesmo Estado, a candidata mineira Stephanie Martins, que tentava uma vaga como vereadora da cidade de Everett, também não conseguiu uma vaga. Ela foi derrotada pelo seu oponente que, segundo ela, fez diversos ataques xenófobos contra a sua candidatura, dizendo que a cidade “não precisava de uma vereadora do terceiro mundo para ensiná-los a governar”. De 29 anos, ela vive nos EUA desde a adolescência e é formada pela Universidade de Harvard.
