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Em meio a uma segunda onda de coronavírus, e com uma terceira que já se anuncia, a União Europeia começa, neste domingo, a vacinar seus cidadãos

A medida afeta em particular os britânicos. (Foto: Governo do Estado de São Paulo)

Em meio a uma segunda onda de coronavírus e com uma terceira que já se anuncia em alguns países, inclusive com novas variações do coronavírus, a União Europeia começa amanhã a vacinar seus cidadãos com um alcance ainda bem limitado: idosos que vivem em casas de repouso e trabalhadores dessas unidades. E, se o Velho Continente vem servindo de espelho e alerta ao Brasil desde o início da pandemia, governos de lá se antecipam em dizer que não preveem um possível retorno à normalidade antes de setembro de 2021, mesmo com a vacinação.

Depois de antecipar em uma semana o aval para aplicação do imunizante da Pfizer-BioNTech, o bloco começou a distribuir as doses aos seus integrantes. Em meio à preocupação de que a disponibilidade da proteção seja maior para países ricos, o papa Francisco, em sua tradicional mensagem de Natal, fez um apelo para que vacinas e tratamento estejam acessíveis a todos os povos.

Mensagem de Natal

O papa Francisco reforçou em sua tradicional mensagem de Natal a “necessidade de fraternidade” no mundo em um período de pandemia, e pediu “acesso a vacinas e tratamento” para todos contra o coronavírus. A Europa superou a marca de 25 milhões de casos de coronavírus, em uma pandemia que ofuscou o Natal ao redor do mundo. O continente, que em meados de dezembro se tornou a primeira região a superar 500 mil mortos, é a mais afetada em número de contágios. Em todo o planeta, a covid-19 matou mais de 1,7 milhão de pessoas e infectou mais de 79 milhões.

“Que o Filho de Deus renove nos líderes políticos e governamentais um espírito de cooperação internacional, começando pela saúde, para que todos tenham acesso a vacinas e tratamento”, disse Francisco durante a mensagem anual Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo). A bênção foi proferida dentro de um salão no Vaticano, e não da varanda da Basílica de São Pedro para milhares de pessoas, como normalmente acontece. “Neste momento da história, marcado pela crise ecológica e pelos graves desequilíbrios econômicos e sociais, agravados pela pandemia do coronavírus, precisamos mais do que nunca da fraternidade.”

Francisco defendeu uma fraternidade concreta, além da família, etnia, religião, língua ou cultura. “E isso é válido também para as relações entre os povos e as nações”, insistiu o papa. O apelo por solidariedade se aplica “especialmente às pessoas mais frágeis, os enfermos e todos aqueles que neste momento estão sem trabalho ou em graves dificuldades pelas consequências econômicas da pandemia, assim como às mulheres, que nestes meses de confinamento sofreram violência doméstica”.

O sonho de fraternidade diante das desigualdades socioeconômicas, frequentemente oposto ao “dogma neoliberal”, representa um tema crucial nos quase oito anos do pontificado de Francisco. E esteve presente sobretudo em seus discursos desde o início da pandemia da covid-19, em particular com a publicação, em outubro, de uma extensa alegação neste sentido, a encíclica Fratelli tutti (Todos os irmãos).

Na mensagem, o papa também falou sobre as crianças que pagam o elevado preço da guerra, especialmente no Oriente Médio. Em seu tradicional panorama dos conflitos do planeta, seguido da bênção Urbi et orbi, o pontífice insistiu na esperança de que o Natal seja o “momento propício para dissolver as tensões em todo o Oriente Médio e no Mediterrâneo oriental”. “Voltamos os nossos olhares a tantas crianças que em todo o mundo, especialmente na Síria, Iraque e Iêmen, ainda estão pagando o alto preço da guerra”, disse.

“Que seus rostos comovam a consciência das pessoas de boa vontade, de modo que as causas dos conflitos possam ser abordadas e se trabalhe com coragem para construir um futuro de paz”, acrescentou. O papa anunciou recentemente a intenção de viajar ao Iraque em março, a sua primeira viagem ao exterior desde o início da pandemia.

Na mensagem de Natal, Francisco também fez referência a suas reflexões sobre os difíceis reencontros familiares, para ele uma ocasião para engrandecer sua importância. “Meu pensamento se dirige neste momento às famílias: as que não podem se reunir hoje, assim como as que se veem obrigadas a ficar em casa”, afirmou.

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