A apuração da votação manual para a presidência do Senado chegou a novo impasse, em mais um capítulo da sucessão de confusões que marcou a disputa. Ao apurar as cédulas depositadas nas urnas, descobriu-se haver 82 cédulas, sendo que só há 81 senadores. Havia 80 cédulas dentro de envelope, a forma correta, e duas fora. Uma nova votação foi iniciada.
Nova votação
Após confusão na apuração dos votos para a Presidência do Senado, os senadores decidiram repetir a eleição. Na hora da apuração dos votos, foram encontrados 80 envelopes com 80 cédulas e outras duas cédulas avulsas na urna, o que levantou suspeitas sobre fraude nas eleições. O total de senadores é de 81.
Após a decisão sobre uma nova eleição, os papeis com os primeiros votos foram triturados.
Antes da eleição, houve um embate sobre se a votação seria aberta ou secreta. Na sexta-feira (1º), após cinco horas de sessão, a maioria dos parlamentares decidiu pelo voto aberto. Mas uma decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli determinou que a votação deveria ser secreta.
Seis senadores concorriam à Presidência do Senado: Ângelo Coronel (PSD-BA), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Espiridião Amin (PP-SC), Fernando Collor (Pros-AL), Renan Calheiros (MDB-AL), Reguffe (sem partido-DF).
Entenda
O regimento interno do Senado prevê que a eleição para presidente da Casa ocorra por meio de cédulas, segundo art. 296. O artigo é o que trata das votações secretas e as eleições são tratadas como exceção ao sistema eletrônico.
Os senadores devem preencher as cédulas nominais. As cédulas devem ser colocadas em envelopes, de acordo com o art. 60 do regimento, que trata da eleição.
Na apuração, o presidente de separar as cédulas, lendo-as, em seguida, uma a uma, e passando-as ao segundo-secretário, que anota o resultado.
Na votação da tarde deste sábado (2), duas cédulas foram depositadas na urna sem que estivessem em envelope. Dessa forma, chegou-se a um voto a mais do que o número de parlamentares: 81 senadores, 82 votos.
Declaração de voto
Na primeira votação, apesar de o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, ter decidido que a votação para presidente do Senado deveria ser secreta, 31 senadores decidiram mostrar suas cédulas para as câmeras de TV.
Quem mostrou a cédula: Roberto Rocha (PSDB-MA); Major Olímpio (PSL-SP); Antonio Anastasia (PSDB-MG); Carlos Viana (PSD-MG); Rodrigo Pacheco (DEM-MG); Jorge Kajuru (PSB-GO); Selma Arruda (PSL-MT); Lasier Martins (PSD-RS); Luis Carlos Heinze (PP-RS); Eduardo Girão (PROS-CE); Tasso Jereissati (PSDB-CE); Daniella Ribeiro (PP-PB); Fabiano Contarato (REDE-ES); Marcos do Val (PPS-ES); Elmano Férrer (PODE-PI); Styvenson Valentim (REDE-RN); Esperidião Amin (PP-SC); Rodrigo Cunha (PSDB-AL); Oriovisto Guimarães (PODE-PR); Plínio Valério (PSDB-AM); Alvaro Dias (PODE-PR); Sérgio Petecão (PSD-AC); Mailiza Gomes (PP-AC); Nelsinho Trad (PSD-MS); Simone Tebet (MDB-MS); Soraya Thronicke (PSL-MS); Marcos Rogério (DEM-RO); Randolfe Rodrigues (REDE-AP); Lucas Barreto (PSD-AP); Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Alguns foram além e declararam o voto no microfone: Lasier, Heinz, Girão, Kajuru, Daniella Ribeiro, Plínio Valério, Oriovisto, Alavaro Dias, Thronicke e Randolfe.
Omar Aziz (PSD-AM) não mostrou a cédula, mas foi ao microfone declarar voto em Davi.
