O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, participou, no início da tarde de sábado (7), de um painel do Fronteiras do Pensamento, em São Paulo. Com o tema “O Brasil do Futuro”, o debate reuniu o economista Pérsio Arida e teve mediação do filósofo e cientista político Fernando Schuler, curador do evento. Durante a conversa, os participantes discutiram os desafios institucionais, econômicos e políticos para que o país construa um projeto de desenvolvimento sustentável de longo prazo.
Em sua participação, Leite defendeu que o Brasil precisa enfrentar entraves institucionais que dificultam a implementação de reformas estruturais e políticas públicas duradouras. Segundo ele, transformações econômicas consistentes dependem de um ambiente institucional capaz de garantir previsibilidade e estabilidade ao longo do tempo. “Não haverá política econômica sustentável se não houver uma estrutura institucional que dê suporte para isso”, afirmou.
O governador também destacou que o País vive um momento de inflexão diante do esgotamento da polarização política e das mudanças profundas no cenário internacional e tecnológico. Para ele, a superação desse ambiente exige mobilização das lideranças que defendem o diálogo e a construção de consensos.
“Moderação não pode significar resignação nem conformismo. É justamente a disposição de dialogar, compreender visões diferentes e construir caminhos comuns para a democracia”, disse.
Ao comentar as ideias apresentadas por Arida, Leite concordou com a necessidade de aperfeiçoar o arranjo institucional brasileiro para melhorar a governabilidade. O economista argumentou que o País ampliou excessivamente o número de temas tratados na Constituição, o que dificulta reformas e abre espaço para judicialização frequente no Supremo Tribunal Federal. Entre as propostas discutidas estão a desconstitucionalização de matérias que não sejam direitos fundamentais e mudanças que reduzam a fragmentação política e fortaleçam a relação entre representantes e eleitores.
Ao longo do painel, Leite e Arida também debateram caminhos para o desenvolvimento do País, com destaque para a necessidade de elevar a produtividade da economia brasileira e ampliar a competitividade. Os dois ressaltaram que avanços estruturais dependem de investimentos em capital humano, desburocratização, melhoria da infraestrutura e de políticas educacionais capazes de preparar as novas gerações para as transformações tecnológicas e do mercado de trabalho.
Leite também defendeu reformas no sistema político-eleitoral brasileiro para melhorar a conexão entre eleitores e parlamentares e reduzir a fragmentação partidária. Entre os pontos mencionados estão a adoção de um modelo distrital misto e o aperfeiçoamento das regras de funcionamento do sistema político, medidas que, segundo ele, ajudariam a tornar o processo decisório mais eficiente e representativo.
Ao final do debate, o governador ressaltou que o Brasil precisa concentrar energias em enfrentar seus problemas estruturais, e não seus adversários políticos.
“O país precisa enfrentar os desafios, não os desafetos. Se tivermos essa capacidade, conseguimos ajustar as instituições, dar estabilidade e criar as condições para desenvolvimento, investimento e geração de oportunidades”, afirmou. As informações são do Palácio Piratini.
