Ícone do site Jornal O Sul

Em palestra, ministro Alexandre de Moraes alerta para os riscos do discurso do ódio

Militares defendem alterar procedimento realizado desde 2002 pela Justiça Eleitoral que certifica contagem correta de votos. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Em mais um discurso enfático contra a desinformação, o ministro Alexandre de Moraes, que vai presidir o Tribunal Superior Eleitoral nas eleições 2022, detalhou nesta segunda-feira (11), como se dão ofensivas contra o Judiciário e seus integrantes em meio aos “ataques à democracia” capitaneados pelas chamadas milícias digitais.

O magistrado relatou que ameaças às instituições e a pessoas que as integram “não acontecem duas ou três vezes”, mas “dez vezes por dia”, “diuturnamente”, e condenou o “discurso do ódio”, que vai “elevando a temperatura, gerando violência e conturbando a relação com o Poder Judiciário”.

As ponderações se deram durante palestra ministrada na sede do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo – maior colégio eleitoral do País –, no encerramento do 6º Curso de Pós-Graduação em Direito Eleitoral e Processual Eleitoral da Escola Judiciária Eleitoral Paulista (EJEP).

A indicação sobre o “discurso de ódio” ocorreu em meio à exposição que o ministro fez sobre o funcionamento das milícias digitais e o papel da Justiça Eleitoral em combatê-las, com “firmeza e serenidade”, de modo a garantir ao eleitor a “liberdade do voto”.

“Não só combater atividades ilícitas, crimes praticados pelas milícias digitais, garantindo a liberdade do eleitor em escolher seu candidato, qualquer seja, para que ele possa escolher com liberdade. Só se escolhe com liberdade aquele que tem informações corretas, não sofre coações, não é bombardeado por mentiras, discurso de ódio, notícias fraudulentas, preparadas para fraudar determinado objetivo, a veracidade das eleições, atentar contra a democracia”, frisou.

O pronunciamento focado em desinformação se deu em meio a uma sucessão de violências no cenário político – ataques com “bombas” de estrumes até o assassinato a tiros do tesoureiro do PT de Foz do Iguaçu. Durante a palestra no TRE-SP, Alexandre não fez citação direta a nenhum episódio, mas dissertou sobre o cenário de uma “máquina de informações fraudulentas”, milícias digitais, discurso de ódio e de violência, e de incentivo a atentados contra a democracia.

Sair da versão mobile