Em pleno carnaval, as manchetes anunciaram: “Juiz Sérgio Moro autorizou investigação sobre o sítio de Atibaia”. No dia 10, o juiz distribuiu nota, afirmando que a decisão foi lançada automaticamente e inadvertidamente no sistema que permite ao publico consultar os processos que tramitam na Justiça Federal sem preocupação com sigilo. Um quadro do famoso “foi sem querer, querendo”.
Os vazamentos só acontecem assim, por acaso, para um grupo de investigados: Lula, amigos, familiares e se for do PT. Mentira ou verdade? Por que a compra de uma canoa no interior de São Paulo teve mais repercussão que um avião recheado de cocaína no interior de Minas Gerais? Já pensou como seria bem vindo um erro automático e inadvertido, com a lista de brasileiros que operaram com a Mossak Fonseca, flagrada pela Operação Triplo X? Que nada, o assunto sumiu da mídia. Por que ninguém erra com a Operação Zelotes? Garanto que tem muito brasileiro que nem sabe destas duas operações que significam o flagra de bilhões de reais roubados, desviados do Brasil.
Mas, os patos, a salsa e a cebolinha, os nabos e os pepinos, plantados pela dona Marisa Letícia, mereceram destaque surpreendente. Um peso combater a corrupção. Duas medidas: os meus corruptos preferidos são protegidos, mas “eles” merecem um julgamento midiático radical, sem direito à defesa. Tempos sombrios.
Uma nota divulgada nas últimas horas, assinada por 143 desembargadores, juízes, advogados e professores afirma que, ao atacar de modo leviano e injustificável advogados, a imprensa fere frontalmente o Estado Democrático de Direito. Os ataques, diz o documento, ferem não só os advogados que compõem suas equipes como a todos os advogados do País que se dedicam com ética e denodo à defesa de direitos e garantias fundamentais.
Nunca foi tão atual o poema “No Caminho com Maiakóvski”: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”.
