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Notícias Em sigilo, a Justiça suíça investiga o operador do MDB desde 2014. As contas dele foram bloqueadas

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O caso foi transferido para o Brasil em março deste ano. (Foto: Freepik)

A Justiça da Suíça abriu inquérito criminal contra Mário Miranda, apontado como operador do MDB, antes mesmo de ser conhecida a dimensão de desvios envolvendo a Petrobras na Operação Lava-Jato. O inquérito, aberto em 2014, está sob sigilo. Nesse período, as contas de Miranda foram reviradas e os depósitos, cruzados. A Justiça suíça usou dados de dezenas de empresas offshores, o que levou ao congelamento de contas secretas.

“Podemos informar que o escritório do Procurador-geral da Suíça abriu um inquérito criminal em 2014”, indicou o Ministério Público em Berna ao Estado ao ser questionado sobre Miranda. “Dentro do quadro desse processo criminal, o Escritório do Procurador-geral identificou e congelou várias contas na Suíça”, disse o MP (Ministério Público).

Operação Dejà Vu

Apesar de o inquérito ter sido aberto pela procuradoria da Suíça em 2014, o caso foi transferido para o Brasil em março deste ano. Em maio, Miranda foi preso preventivamente na Operação Dejà Vu, 51.ª etapa da Operação Lava-Jato. Ao depor para a Justiça brasileira, ele confessou crimes e deixou à disposição das autoridades 7,2 milhões de dólares em valores repatriados. Segundo ele, o dinheiro foi fruto de práticas ilícitas em contratos da Petrobras. Nesta sexta-feira (1º), o juiz Sérgio Moro expediu alvará de soltura do operador.

Essa investigação mira em contrato da área Internacional da Petrobras no valor de 825 milhões de dólares e repasses de propina ao MDB. De acordo apuração da Operação Dejà Vu, só esse contrato teria rendido propinas de 40 milhões de dólares à sigla. Segundo a investigação, o valor foi acertado em 2010 em uma reunião entre executivos da Odebrecht e os ex-presidentes da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha e Michel Temer, então candidato a vice-presidente.

O criminalista Antonio Figueiredo Basto, advogado de Mário Miranda, disse que ainda não teve acesso às informações sobre o inquérito do MP da Suíça. Basto observou que só se manifestaria quando receber dados oficiais sobre a investigação.

No dia 20 de maio, quando o depoimento de Miranda foi divulgado, a reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, mas não obteve resposta. Foram procuradas as defesas dos ex-deputados e ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Alves, mas elas também não se manifestaram.

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