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Em sua carta de demissão da presidência da Petrobras, Pedro Parente disse que a sua permanência no cargo “deixou de ser positiva”

O dirigente pediu que Temer mantenha a autonomia do comando da estatal. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Na carta em que comunicou nessa sexta-feira o seu pedido de demissão da presidência da Petrobras, Pedro Parente argumentou ao presidente Michel Temer que a sua permanência cargo “deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”.

“Eu tenho refletido muito sobre tudo o que aconteceu e está claro, Senhor Presidente, que novas discussões serão necessárias”, alertou. “Diante deste quadro, fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente.”

“Sempre procurei demonstrar, em minha trajetória na vida pública que, acima de tudo, meu compromisso é com o bem público”, prosseguiu Parente. “Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas.”

“Sendo assim, por meio desta carta, apresento meu pedido de demissão do cargo de Presidente da Petrobras, em caráter irrevogável e irretratável”, finalizou. “Coloco-me à disposição para fazer a transição pelo período necessário para aquele que vier a me substituir.”

Greve nacional

O executivo ressaltou, ainda, que a greve nacional dos caminhoneiros, iniciada no dia 21 de maio e que durou quase duas semanas, desencadeou um “intenso e por vezes emocional” debate sobre a política de preços da estatal, que passou a fazer reajustes quase diários no preço dos combustíveis nas refinarias.

“Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel”, mencionou.

Parente agradeceu pela autonomia concedida a ele no comando da estatal e pediu que a gestão profissional da Petrobras seja mantida: “Permita-me, Senhor Presidente, registrar a minha sugestão de que, para continuar com essa histórica contribuição à empresa, Vossa Excelência se apoie nas regras corporativas, que tanto foram aperfeiçoadas nesses dois anos, e na contribuição do Conselho de Administração para a escolha do novo presidente da Petrobras”.

Ainda no texto, Parente elencou as conquistas da petroleira durante o período em que a comandou – ele assumiu o cargo exatamente dois anos antes, no primeiro dia de junho de 2016, quando Temer assumia a vaga de Dilma Rousseff, afastada da Presidência da República pelo processo de impeachment.

“A Petrobras é hoje uma empresa com a reputação recuperada, indicadores de segurança em linha com as melhores companhias do setor, resultados financeiros muito positivos, dívida em franca trajetória de redução e um planejamento estratégico que tem se mostrado capaz de fazer a empresa investir de forma responsável e duradoura”, salientou. “Desde que assumi o cargo, a estatal não precisou de aportes de capital do Tesouro Nacional.”

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