A Embaixada do Brasil em Washington vai acompanhar a audiência realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que debate a sugestão de tarifar em 25% produtos brasileiros. A sessão está marcada para o dia 6 de julho e é aberta a empresários e membros da sociedade civil que queiram participar das discussões.
De acordo com membros do governo, a representação nos EUA já acompanharia a sessão, mas também será a oportunidade para monitorar de perto o discurso de Flávio Bolsonaro (PL), que é um dos inscritos da sessão.
O senador e pré-candidato à Presidência da República é um dos inscritos para falar na audiência. Em ofício enviado ao USTR, Flávio informou que vai discursar em defesa da não imposição das tarifas. O Palácio do Planalto vê a medida como uma tentativa de o senador diminuir o desgaste causado pela relação com as medidas.
Flávio Bolsonaro e o irmão Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos, são diretamente associados pelas taxas aplicadas contra o Brasil. A família Bolsonaro e seus aliados celebraram a atuação dos EUA na aplicação das taxas contra o Brasil em 2025 e, neste ano, Donald Trump publicou uma foto ao lado de Flávio logo após o anúncio das novas alíquotas pelo USTR.
O governo Lula não participará oficialmente da audiência. A avaliação por parte do Itamaraty e do Palácio do Planalto é que não faz sentido o governo, que tem um canal de diálogo direto com o governo Donald Trump para tratar sobre as tarifas, discursar em uma audiência destinada à sociedade civil.
Há o entendimento ainda de que essa participação poderia alçar Flávio Bolsonaro a uma posição que ele não tem. Essa também é a avaliação de integrantes do governo para a carta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para o senador. Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a carta é uma tentativa de respaldar um canal de diálogo direto entre Flávio Bolsonaro e a Casa Branca, colocando o senador como uma alternativa na tratativa com o Brasil.
A audiência marcada para o dia 6 de julho analisa a investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que recomendou a imposição de novas tarifas ao Brasil. Antes que as alíquotas entrem em vigor, a conclusão do processo será submetida a uma audiência pública com representantes de empresas e da sociedade civil interessados em participar da consulta. A medida também precisa passar pelo aval do presidente Donald Trump.
