Embora ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham ficado indignados com a possibilidade de terem sido gravados na reunião secreta da semana retrasada para discutir a relatoria das investigações do Banco Master, não há disposição da Corte hoje em abrir uma sindicância para saber se isso de fato aconteceu.
Alguns fatores contribuem para esse entendimento. O primeiro é que a divulgação de uma apuração interna empurraria novamente o STF para o centro da crise do Master.
Outro ponto é que, para investigar o caso, seria necessário vasculhar celulares de ministros presentes ao local e computadores de quem acompanhava a reunião a distância, o que poderia gerar ainda mais desgaste nas relações entre os integrantes da Corte.
Resistência
A abertura de uma sindicância, em tese, cabe ao presidente do tribunal. Mas o ministro Edson Fachin já enfrenta resistência suficiente por parte de aliados de Dias Toffoli no Supremo. Abrir uma investigação a partir da desconfiança do colega poderia piorar a situação dele.
Pressão interna e externa
Por fim, se a investigação fosse aberta e instruída, o que fazer a partir da identificação de um culpado se ele for um dos dez ministros? Punir o colega certamente não aliviaria a pressão interna e externa que o tribunal sofre hoje. E mais: o caso poderia alimentar os anseios do Congresso de instaurar um processo de impeachment de um dos ministros.
A desconfiança de que a reunião foi gravada e teve o conteúdo vazado surgiu a partir da publicação de uma reportagem no site Poder 360 contando detalhes do que foi discutido, inclusive com frases inteiras ditas por ministros. Hoje, vários ministros dizem, nos bastidores, terem convicção de que Toffoli está por trás do vazamento. Ainda assim, preferem abafar o caso. Toffoli nega que tenha gravado ou vazado o conteúdo da reunião à imprensa.
Clima tenso
Ministros do STF se reuniram na semana retrasada por cerca de duas horas e meia em clima tenso. Logo no início, Fachin mencionou o documento da Polícia Federal com citações a Toffoli, então relator das investigações do Master, no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco.
Nenhum dos ministros defendeu a permanência de Toffoli à frente do processo. Diante do posicionamento dos colegas, ele não insistiu e cedeu aos apelos do colegiado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
