A advogada Dora Cavalcanti, que representa a construtora Odebrecht, afirmou na sexta-feira que a prisão do presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, e de quatro executivos da empresa é “ilegal” e precisa ser “revogada”.
Em entrevista coletiva, em São Paulo, ela disse que as provas apresentadas até o momento pelo MPF (Ministério Público Federal) “não justificam” as detenções, motivadas por suposto envolvimento com os crimes investigados pela Operação Lava-Jato, que apura desvio de dinheiro da Petrobras.
Os advogados tentam obter na Justiça um habeas corpus com o objetivo de assegurar a libertação de Odebrecht, entretanto, na sexta-feira, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato em primeira instância, decretou nova prisão preventiva do presidente da empreiteira.
No mesmo dia, o MPF anunciou, durante uma coletiva de imprensa, em Curitiba (PR), que apresentou à Justiça denúncia contra Odebrecht e outras 21 pessoas suspeitas de envolvimento com os fatos investigados na ação.
“Nada do que foi dito nessa coletiva [do MPF], mostrando a força do Ministério Público e da Polícia Federal, todo esse arcabouço de que eles já conheciam de antemão, nada disso contribui ou justifica uma prisão ilegal, que merece ser revogada. Todas essas pessoas foram presas em suas casas, exercendo atividade normal. Sabiam que estavam sendo investigadas”, disse Dora.
A advogada da construtora destacou ainda que os cinco executivos se colocaram à “disposição da Justiça” e alegou que está havendo uma condenação antes do julgamento. “Uma prisão não pode se basear em um juízo antecipado de mérito como se fosse um cumprimento antecipado de pena.”
Para Dora, os mandados de prisão dos dirigentes da Odebrecht se basearem em “suposições”. “Desde o início, a prisão preventiva decretada sem fundamento tem sido vinculada a juízos interpretativos, a hipóteses.” A advogada citou como exemplo o fato de a Polícia Federal e o Ministério Público interpretarem a palavra “vaca”, de comunicações de Odebrecht, como uma referência ao tesoureiro licenciado do PT, João Vaccari Neto. Conforme Dora, o executivo se referia a um animal. “Ele estava querendo dizer de uma vaca que foi comprada em um leilão, 2,2 milhões de reais foi o dinheiro gasto em uma vaca.” (AG)
