A Rússia descartou ontem a possibilidade de autoridades brasileiras participarem de uma investigação sobre a queda do avião que matou o líder mercenário do Grupo Wagner, Yevgueni Prigozhin. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que o caso será investigado por russos sem participação da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci) e sem seguir as regras internacionais em razão das “circunstâncias do caso”.
Segundo o Tratado de Chicago, de 1944, autoridades brasileiras poderiam participar da investigação pelo fato de o jato ser de fabricação da Embraer. Segundo o Anexo 13, a recomendação era pela participação da empresa na análise do caso.
A Rússia, porém, informou à autoridade de investigação aeronáutica do Brasil que não investigará a queda do jato brasileiro sob regras internacionais “no momento”. Questionado na terça, Peskov se limitou a pedir para que se aguarde os resultados da investigação russa.
“As apurações de Moscou consideram a possibilidade de o jato ter sido derrubado”, acrescentou o porta-voz. “É óbvio que diferentes versões estão sendo consideradas, incluindo a que, e você sabe do que eu estou falando, de uma atrocidade deliberada”, disse o porta-voz, que não estabeleceu uma data para o relatório final da apuração e não apontou culpados.
Relatos de testemunhas e imagens do momento da queda do avião sugerem que o jato, aparentemente, foi abatido no ar, o que descartaria qualquer possibilidade de falha mecânica da aeronave da Embraer. O modelo tem um ótimo histórico de segurança, com apenas um acidente registrado em mais de 20 anos – em 2006, foi um Legacy 600 que causou o acidente com o Boeing 737 da Gol no Estado de Mato Grosso, que matou 154 pessoas.
Logo após a explosão do Legacy, a Embraer afirmou que segue as sanções internacionais adotadas contra a Rússia e não prestava suporte à aeronave desde 2019. “A Embraer tomou conhecimento do acidente ocorrido com o Legacy 600 na Rússia, mas, até o momento, não tem mais informações sobre o caso.”
A morte de Prigozhin levantou suspeitas de que ele tenha sido assassinado – um destino comum a quem cruza o caminho do presidente russo, Vladimir Putin. Em julho, o líder mercenário liderou uma rebelião armada contra o Kremlin. Governos ocidentais responsabilizaram Putin pela queda do jato, que matou dez pessoas.
Putin classificou Prigozhin de “traidor”, após a rebelião de julho. O Kremlin negou qualquer ato de vingança. No avião também estava Dmitri Utkin, braço direito de Prigozhin, que ajudou a fundar o grupo mercenário. A queda do Legacy deixa dúvidas em relação ao futuro do Grupo Wagner e reforça o poder de Putin na Rússia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da agência de notícias Efe.
