A empresa do publicitário Elsinho Mouco, marqueteiro oficial do governo federal, emitiu uma nota fria para disfarçar o pagamento de mais de 1 milhão de reais em propina da JBS/Friboi ao presidente Michel Temer. O valor faz parte de um montante de 1,1 bilhão de reais, repassado irregularmente a diversos políticos nos últimos 11 anos, segundo a contabilidade da empresa.
Os documentos devem ser entregues até a próxima sexta-feira à PGR (Procuradoria-Geral da República), a fim de comprovar os fatos narrados pelos executivos do conglomerado empresarial em suas delações.
Às vésperas da sessão desta quarta-feira na Câmara dos Deputados, que decidirá se o STF (Supremo Tribunal Federal) poderá ou não julgar a denúncia de corrupção passiva contra Temer, a defesa do presidente diz que as informações trazidas pela revista não devem influenciar o voto dos parlamentares. “Tudo isso é estranho ao processo. Só vamos nos defender de fatos relacionados à denúncia”, declarou o advogado Antônio Mariz de Oliveira, que atua na defesa do peemedebista.
Questionado se esse material poderá embasar eventuais próximas acusações da PGR contra o presidente, afirmou: “É possível, mas, por ora, a preocupação é com o julgamento de quarta-feira. Cada denúncia na sua hora”. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pretende apresentar uma nova acusação contra Temer, desta vez por obstrução de Justiça, antes do término do seu mandato, em setembro, quando será substituído por Raquel Dodge.
Ministros
De acordo com reportagem da revista Época, ao menos quatro ministros do governo Temer também foram beneficiários de propina da JBS/Friboi: Bruno Araújo (Cidades), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Helder Barbalho (Integração Nacional) e Marcos Pereira (Indústria e Comércio Exterior). Juntos, eles teriam recebido 46 milhões de reais, segundo planilhas de contabilidade.
A matéria afirma, ainda, que a empresa fez pagamentos fraudulentos a empresas indicadas por Temer e pelo senador José Serra durante a campanha presidencial de 2010. Também ressalta que a JBS/Friboi apresentará à PGR os extratos de duas contas mantidas por Joesley Batista – sócio do conglomerado – nos Estados Unidos, com saldo de propina do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O dinheiro teria financiado a campanha da então presidenta Dilma Rousseff à reeleição, em 2014, mediante articulação com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A JBS, segundo a mesma publicação, também pagou 1 milhão de dólares ao ex-ministro Antonio Palocci e usou dinheiro vivo para subornar o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), dentre outros parlamentares.
