Mensagens encontradas no celular do suposto chefe do grupo suspeito de manipular de resultados de jogos de futebol, Bruno Lopez, mostram que ele teria continuado com o esquema mesmo após a prisão. O empresário foi preso no dia 14 de fevereiro deste ano e solto após uma liminar emitida quatro dias depois. Atualmente, ele está preso de forma preventiva.
“Jogador tem amanhã um meu pra fazer amarelo e finalização”, escreve o suposto chefe.
Em nota enviada ao portal de notícias G1 na quarta-feira (10), o advogado Ralph Fraga, que representa Bruno Lopez, afirmou que vai se posicionar sobre as acusações formal e processualmente no momento oportuno.
A mensagem foi enviada do celular de Bruno no dia 18 de março de 2023, dias após ele ser solto da prisão, após a primeira fase da operação. A pessoa com quem Bruno conversa sobre o esquema é identificada como “Futblack”, não tendo tido seu nome divulgado. Na conversa, eles falam sobre o esquema de jogo e, em resposta, a pessoa com quem Bruno conversa diz que depois manda “metade do lucro que tiver” à ele.
Segundo o MPGO, ainda em mensagens encontradas no celular de Bruno, já no dia 15 de abril de 2023, é possível ver ele comemorando os lucros do esquema. “Tá lindo de trabalhar agora”, escreveu.
Atuação em núcleos
Segundo o MP, o grupo criminoso cooptava jogadores com ofertas que variavam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil para que cometessem lances específicos nos jogos – como um número determinado de faltas, levar cartão amarelo, garantir um número específico de escanteios para um dos lados e até atuar para a derrota do próprio time. Diante dos resultados previamente combinados, os apostadores obtinham lucros altos em diversos sites de apostas.
Segundo o Ministério Público, o esquema era dividido em quatro núcleos: de apostadores, financiadores, intermediadores e administrativo. Bruno Lopez, segundo a denúncia do órgão, era o chefe do núcleo de apostadores.
Os núcleos funcionavam da seguinte forma: o “Núcleo Apostadores” era formado por responsáveis por contatar e aliciar jogadores para participação no esquema delitivo. Eles também faziam pagamentos aos jogadores e promoviam apostas nos sites esportivos.
Também havia o “Núcleo Financiadores”. Eles eram os responsáveis por assegurar a existência de verbas para o pagamento dos jogadores aliciados e também nas apostas manipuladas.
Além disso, havia o “Núcleo Intermediadores”, estes eram responsáveis por indicar contatos e facilitar a aproximação entre apostadores e atletas aptos a promoverem a manipulação dos eventos esportivos.
Também havia o “Núcleo Administrativo”, que era responsável por fazer as transferências financeiras a integrantes da organização criminosa e também em benefício de jogadores cooptados.
Como a operação começou
A Operação Penalidade Máxima já fez buscas e apreensões nos endereços dos envolvidos. As investigações começaram no final de 2022, quando o volante Romário, do Vila Nova-GO, aceitou uma oferta de R$ 150 mil para cometer um pênalti no jogo contra o Sport, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Romário recebeu um sinal de R$ 10 mil, e só teria os outros R$ 140 mil após a partida, com o pênalti cometido. À época, o presidente do Vila Nova-GO, Hugo Jorge Bravo, que também é policial militar, investigou o caso e entregou as provas ao MP-GO.
Defesa
Leia a nota da defesa de Bruno Lopez na íntegra: “De igual forma à primeira fase da operação, entendemos que, por se tratar de uma denúncia extensa, com diversos anexos oriundos dos elementos extraídos na investigação, é necessário muita cautela em qualquer comentário. Apesar de se tratarem de fatos novos, jogos diferentes daqueles que foram objeto de denúncia na primeira ação penal, o crime pelo qual Bruno se encontra acusado é exatamente o mesmo, mas por situações diferentes. Como de praxe, sempre com muito respeito ao trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário, as acusações serão formal e processualmente respondidas no momento oportuno.” As informações são do portal de notícias G1.
