A Operação Lava-Jato, antes da nova fase deflagrada nessa sexta-feira, já vinha chegando perto do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel. Em depoimento à Lava-Jato no fim do ano passado, o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confessou que destinou parte de recursos de um empréstimo fraudulento a Ronan Maria Pinto, que foi preso nessa última etapa, que teria pedido 6 milhões de reais para não contar o que sabia sobre caixa dois do PT e a relação desses recursos com o assassinato do então prefeito do município paulista.
Segundo a investigação, o empréstimo fraudulento foi posteriormente coberto por meio de desvios na Petrobras. Os procuradores não devem mergulhar em uma investigação de assassinato, tema da Justiça Estadual, mas trazer à tona o episódio de 2002 tem potencial de dar dor de cabeça ao PT.
Morte
Na época do seu assassinato, em 2002, Celso Daniel era coordenador da pré-campanha de Lula à Presidência e revelações sobre irregularidades na prefeitura poderiam impactar a campanha do petista. O prefeito foi sequestrado em 18 de janeiro de 2002 quando voltava de um restaurante. Seu corpo foi encontrado dois dias depois. No momento do sequestro, Celso Daniel estava acompanhado do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, seu amigo. (Folhapress)
