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Empresas captam na Bolsa brasileira menor volume para investimentos em uma década

No primeiro semestre do ano passado, em um período já morno para ofertas de ações, foram um total de R$ 3,5 bilhões em ofertas de ações. (Foto: B3/Divulgação)

As empresas brasileiras caminham para levantar o menor volume de recursos no mercado de ações em pelo menos dez anos, refletindo o efeito dos juros elevados sobre emissões destinadas a financiar investimentos e reforçar o caixa. Apesar do desempenho fraco, bancos de investimento já enxergam uma retomada, embora gradual e seletiva, das ofertas primárias nos próximos meses, movimento que poderá ganhar força após as eleições caso haja melhora no fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, o que poderia reverter a tendência do ano.

Apesar da B3 ter registrado 13 operações de renda variável até junho, sendo sete ofertas subsequentes, uma abertura de capital e o restante de blocos (“block trades”), a recuperação foi apenas parcial. Isso porque a maior parte do dinheiro movimentado serviu para permitir a venda de participações poracionistas (ofertas secundárias), e não para levar recursos novos às empresas (ofertas primárias).

Levantamento do Bank of America (BofA)  mostra que o mercado movimentou R$ 18,6 bilhões em transações com ações na primeira metade do ano. Desse total, R$ 15,2 bilhões vieram de operações integralmente secundárias, R$ 2,6 bilhões, de ofertas mistas e apenas R$ 900 milhões de emissões totalmente primárias. Ao todo, foram nove ofertas exclusivamente secundárias, uma mista e três 100% primárias.

No primeiro semestre do ano passado, em um período já morno para ofertas de ações, foram um total de R$ 3,5 bilhões em ofertas de ações, mas concentrado em transações primárias (R$ 2,4 bilhões).

Na avaliação de Bruno Saraiva, corresponsável pelo banco de investimento do BofA no Brasil, a deterioração do cenário internacional interrompeu uma retomada que parecia ganhar força no início do ano. Segundo ele, havia expectativa de maior participação do investidor estrangeiro e diversas empresas, incluindo candidatas a IPO (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês), avançavam na preparação para acessar o mercado. “Começamos o ano otimistas, com entrada de fluxo estrangeiro e fechamento das curvas de juros. De maio para cá, o capital voltou a ser direcionado para os Estados Unidos, movimento que atingiu os mercados emergentes como um todo e dificultou o avanço das operações que estavam sendo preparadas”, afirma.

Para Saraiva, o ambiente continuará seletivo, especialmente em relação a novas aberturas de capital. Segundo ele, uma retomada mais consistente dependerá da reversão do fluxo internacional para mercados emergentes e de um impulso adicional de uma evolução do cenário doméstico, com maior previsibilidade fiscal e compromisso do próximo governo com reformas. Enquanto isso, as oportunidades devem continuar concentradas em ofertas subsequentes de empresas já listadas, sobretudo dos setores de infraestrutura e “utilities” (empresas que prestam serviços públicos, tal como as de energia), aproveitando janelas de oportunidade no mercado. Já companhias de tecnologia e fintechs tendem a continuar olhando para os Estados Unidos como destino preferencial para seus IPOs, diz Saraiva. Com informações do Valor Econômico.

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