Enquanto os eleitores brigam nas ruas, o bolsonarismo se uniu ao maior algoz do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, para derrubar a indicação de Jorge Messias sob a bênção do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
No dia seguinte da votação, a derrota embalou a derrubada do veto ao projeto da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados por golpe de Estado, incluindo Bolsonaro. A CPI do Master, defendida pela oposição, foi enterrada.
Cobra, periquito, lagarto, tem de tudo no meio dessa votação, como definiu o senador Cid Gomes. O enredo da novela, que já estava confuso, se transformou numa salada geral.
Traição, vingança, intimidação, conspiração, conchavos para as próximas eleições e dinheiro de campanha. Tem também o medo das investigações do Master.
Rodrigo Pacheco, preterido por Lula na indicação ao STF e o nome preferido de Moraes e Gilmar Mendes, deu uma de bonzinho, mas votou contra Messias e agora sinaliza que não será candidato ao governo de Minas.
Davi, Moraes e importantes aliados do senador na campanha presidencial, como o senador Ciro Nogueira, têm muito a perder com o avanço das investigações.
O papel de Jaques Wagner, líder do governo, é um episódio à parte por ser um político com ligações com o Master. O vídeo do abraço dado em Davi fala mais do que qualquer desculpa pela derrota.
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, responsável pelo processo Master, ligaram pedindo voto para Messias. O argumento colocado à mesa foi que o AGU era mais próximo das posições deles do que as de Dias Toffoli, Flávio Dino e Moraes, e que a sua aprovação ajudaria na correlação de forças interna.
Mas Nunes Marques também tem familiar envolvido com Vorcaro. Inicialmente, Messias deixou de incluir, em maio de 2025, o sindicato do irmão de Lula nos pedidos de bloqueio de recursos em fraudes do INSS (a entidade foi incluída na ação posteriormente).
A rejeição foi uma demonstração de força da união do bolsonarismo com Moraes. O que ninguém sabe é se Mendonça vai querer proteger os chegados, e se Davi e Moraes vão conspirar juntos por um novo nome ao STF. (Adriana Fernandes/Folhapress)
