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Entenda a cirurgia no ombro pela qual passou Bolsonaro

De acordo com o boletim médico, a cirurgia ocorreu sem intercorrências. (Foto: Fernando Frazão/ABr)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou na última sexta-feira (1°) por um procedimento cirúrgico para reparo do manguito rotador do ombro direito. De acordo com o boletim médico, a cirurgia ocorreu sem intercorrências.

O ex-presidente apresentou boa evolução após a cirurgia no ombro direito e deve iniciar protocolo de reabilitação motora e funcional, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star nesse sábado (2).

De acordo com a unidade de saúde, Bolsonaro segue internado após ser submetido ao procedimento de reparo artroscópico do manguito rotador. O quadro clínico é considerado estável, com controle da dor. Segundo o ortopedista responsável pelo procedimento, Alexandre Paniago, a princípio, a alta está prevista para esta segunda-feira.

“O Hospital DF Star informa que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro encontra-se internado, após ser submetido a cirurgia de reparo artroscópico do manguito rotador à direita. Apresentou boa evolução e bom controle álgico. No momento, segue internado em apartamento para analgesia, medidas de prevenção de trombose e iniciará protocolo de reabilitação motora e funcional”, diz o boletim.

A cirurgia foi realizada na última sexta-feira e durou cerca de cinco horas, incluindo o pré-operatório.

O procedimento é voltado ao tratamento de uma lesão considerada comum na ortopedia. O manguito rotador é um conjunto de quatro tendões localizados na região do ombro, responsáveis pelos movimentos de rotação e por manter a articulação firme e estável durante os movimentos, segundo o ortopedista Maurício Raffaelli, especialista em cirurgia de ombro e cotovelo.

O rompimento dessas estruturas está entre as causas mais frequentes de dor no ombro. O quadro pode variar de inflamações e lesões parciais até rupturas completas. A indicação cirúrgica ocorre quando há dor importante e perda de função, com limitação para movimentar o braço.

Um dos sintomas mais característicos é a dor noturna, que pode dificultar o sono. Muitos pacientes relatam piora da dor ao deitar, porque a articulação é comprimida durante o descanso.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e precisou solicitar autorização ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para realizar o procedimento.

Como funciona o procedimento

O reparo do manguito rotador consiste em recolocar o tendão no osso para que ele volte a cicatrizar e recuperar sua função. A cirurgia é feita, na maioria dos casos, por artroscopia, técnica minimamente invasiva realizada com uma câmera inserida no ombro por pequenas incisões.

Durante a operação, são usados pequenos dispositivos fixados no osso, chamados âncoras, que ajudam a prender o tendão de volta ao seu local original. A partir deles, fios são utilizados para “costurar” o tecido lesionado e reconstruir a estrutura do ombro.

As causas da lesão são variadas e incluem traumas, como quedas, além de processos degenerativos associados ao envelhecimento.

A duração do procedimento varia conforme a complexidade do caso. Em geral, leva de uma a duas horas, mas pode chegar a cinco horas quando se considera o preparo anestésico e o quadro do paciente.

Apesar de ser minimamente invasiva, a artroscopia exige anestesia geral, o que aumenta a complexidade do procedimento, diz Kaleu Nery, integrante da SBCOC (Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo).

Bolsonaro tem 71 anos, e a idade é um ponto relevante na avaliação do risco cirúrgico. Segundo Nery, pacientes nessa faixa etária tendem a apresentar maior desgaste natural das estruturas do ombro.

No caso do manguito rotador, o tendão pode estar mais desgastado, o que dificulta a cicatrização e aumenta o risco de uma nova ruptura após a cirurgia. Outros fatores de saúde, como doenças associadas, também são avaliados antes do procedimento.

A recuperação é gradual. Segundo Maurício Raffaelli, o paciente permanece com o braço imobilizado por tipoia por um período de quatro a seis semanas, com liberação inicial apenas para movimentos de cotovelo, punho e mão. A fisioterapia é iniciada depois dessa fase.

A cicatrização do tendão leva de três a quatro meses, enquanto a recuperação funcional completa pode demorar seis meses, dependendo da extensão da lesão e da resposta do organismo.

Entre os riscos estão complicações relacionadas à anestesia e a possibilidade de o tendão não cicatrizar adequadamente, o que pode ocorrer em alguns casos. A taxa de falha varia de acordo com idade, qualidade do tecido e tamanho da lesão. As informações são dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo.

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