Mais de 340 pessoas foram atendidas por serviços médicos em decorrência da ação policial para reprimir o referendo pela independência da região autônoma da Catalunha, convocado por separatistas neste domingo (1º) e considerado ilegal pelo governo espanhol. Entre as vítimas, 337 eram civis e 11 eram agentes de segurança.
De acordo com o serviço de emergência catalão, a maioria das vítimas sofreu ferimentos leves. Três estão em estado mais grave, conforme os serviços de emergência. Nove pessoas foram hospitalizadas. Houve contusões, desmaios e ataques de pânico.
A Polícia Nacional e a Guarda Civil, duas corporações que enviaram um reforço de mais de dez mil homens para a Catalunha, invadiram várias escolas em toda região para apreender urnas e cédulas, na tentativa de impedir a consulta proibida pela Justiça espanhola.
Segundo a Reuters, a polícia espanhola disparou balas de borracha em rua de Barcelona devido a distúrbios envolvendo o referendo. O jogo entre Barcelona e Las Palmas, pela Liga Espanhola, marcado para a tarde deste domingo, foi cancelado, segundo o “El País”.
Reação dos governos
O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, diz que há “violência injustificada” do Estado espanhol. Ele próprio não conseguiu votar no ginásio onde estava previsto inicialmente, já que a Guarda Civil entrou à força e assumiu o controle.
Puigdemont seguiu para uma seção eleitoral próxima para depositar sua cédula. A alteração foi possível, porque, no último minuto, o governo catalão instaurou um cadastro único de eleitores. Com isso, os 5,3 milhões de catalães convocados às urnas podem votar em qualquer um dos 2.135 postos anunciados.
Puigdemont denunciou “o uso injustificado, irracional e irresponsável da violência por parte do Estado espanhol”. Segundo ele, a imagem externa do Estado “continua piorando e chegou hoje a níveis de vergonha que vão acompanhá-lo para sempre”. “Será o Estado espanhol que deverá explicar ao mundo o que fez hoje na Catalunha”, afirmou a presidente do Parlamento catalão, Carme Forcadell, depois de votar.
O representante do governo espanhol de Mariano Rajoy, Enric Millo, pediu ao Executivo catalão que ponha fim a o que chamou de “farsa” do referendo. “O presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, e sua equipe são os únicos responsáveis por tudo que aconteceu ontem e por tudo que poderá acontecer, se não puserem fim a essa farsa”. Jeremy Corbin, líder do Partido Trabalhista britânico, disse que a violência policial contra a população da Catalunha é “chocante” e precisa acabar.
Sentimento separatista
Os separatistas são maioria no Parlamento catalão desde 2015, mas as pesquisas indicam que a sociedade catalã está muito dividida. A última pesquisa feita pelo governo catalão, em junho, mostrou que 49% eram contra a independência e 41% a favor.
No referendo de 2014, que também foi declarado inconstitucional por Madri, quase 1,9 milhão (80%) de catalães votaram pela independência, embora a participação tenha sido de 37%.
O embate entre autoridades da Catalunha e do governo central da Espanha em torno do referendo independentista desperta a curiosidade sobre o movimento separatista na região e suas motivações. O sentimento separatista surge de uma soma de diversos fatores, entre eles históricos, culturais e econômicos.
