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Entenda o caso que levou Letícia Sabatella às lágrimas após audiência na Justiça

Letícia e Daniel Dantas adotaram os animais há seis anos. (Foto: Reprodução)

A atriz Letícia Sabatella e o ator Daniel Dantas estiveram no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no início deste mês para uma audiência de um caso de grande peso emocional para o casal, como ficou evidente pelo choro da artista após a sessão.

Letícia e Daniel são os tutores de Bertoldo e Bebê. Os cães vieram de uma ninhada de oito filhotes, resgatados há quase seis anos pelo casal perto do sítio da atriz. Eles estavam muito machucados, infestados de pulgas e carrapatos, e foram tratados por Letícia até poderem ser adotados.

No início de 2025, em um momento de vulnerabilidade — Letícia com a mãe na UTI e Daniel passando por tratamento de saúde —, a veterinária responsável pelos cuidados dos animais teria colocado os filhotes para adoção, à revelia dos responsáveis.

Representados pela advogada criminalista Wanessa Ribeiro, a primeira vitória da dupla veio na esfera criminal. A profissional que destinou os bichos a terceiros confessou o crime de apropriação indébita, com celebração de um acordo de não persecução penal.

Mais recentemente, a segunda conquista: um dos pets, Bebê, voltou aos cuidados de Letícia e Daniel. Resta ainda outra ação, de natureza cível, para reaver Bertoldo.

Papel fundamental

Em outra frente, para Letícia Sabatella, falar de cinema hoje é também debater responsabilidade social. Em bate-papo com a imprensa no final do mês passado, durante a 29º Mostra de Cinema Tiradentes, a atriz destacou que a arte tem um papel fundamental na desconstrução de violências arraigadas na sociedade e na valorização de narrativas femininas.

A artista ressaltou que o debate sobre o papel das mulheres no cinema está diretamente ligado ao momento histórico vivido pelo país. “A gente vive em um momento de grande violência contra as mulheres. Precisamos administrar o nosso olhar e pesquisar narrativas que realmente falem de pontos de vista que não estamos acostumados, porque predominantemente temos um ponto de vista masculino, patriarcal, heteronormativo. Existem exceções, mas a gente precisa dar espaço para esses novos olhares para melhorar a forma como enxergamos a sociedade e a construção dessa sociedade”, comentou.

Segundo a atriz, esse movimento passa pela necessidade de “desnaturalizar violências profundamente enraizadas.” Para isso, ela defende a ampliação da presença feminina em todos os campos da criação artística. “É fundamental que as mulheres estejam em todas as áreas do cinema. Eu viajei pelo Brasil todo com o documentário ‘Bravas Mulheres’, indo a comunidades quilombolas, comunidades indígenas, com poetas, lavradoras, lideranças que transformavam a realidade. De fato, quando a gente quer construir uma sociedade, nós temos uma força feminina”, destacou.

Ela é mesma é exemplo disso. Além de atriz, Letícia é diretora, escritora e cantora. “Eu tenho descoberto essas potencialidades porque, como mulher de 54 anos, você precisa escrever as personagens que vai fazer. Você começa a entender que tem que construir mais a sua própria narrativa e não esperar que façam convites o tempo todo. Eu não quero esperar muito para ser chamada, quero construir minhas personagens. Transitar entre funções faz parte de me manter ativa”, assinalou.

Na entrevista, Letícia também salientou que boa parte das produções já é feita por elas. “Grandes filmes e grandes produtoras do nosso país são mulheres, que é a parte mais porrada. É preciso valorizar isso e encontrar a potencialidade das mulheres em outros cargos, como os de direção, de condução de narrativas, não só nos de apoio”, disse. As informações são dos jornais O Globo e O Tempo.

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