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Entenda o conflito entre Israel e Hamas nas últimas duas semanas

No sul de Israel, as equipes de resgate em uma rua que sofreu danos significativos. (Foto: Magen David Adom Israel)

A crise foi desencadeada com os ataques do grupo terrorista palestino Hamas ao sul e ao centro de Israel, a partir da Faixa de Gaza, no início da manhã de 7 de outubro, um sábado, quando um número ainda impreciso de integrantes da organização cruzou a fronteira e entrou em 22 pequenas cidades e kibutz, enquanto uma barragem de milhares de foguetes era disparada contra o país.

“Decidimos pôr fim a todos os crimes da ocupação [israelense]. A violência sem responsabilização acabou”, declarou o Hamas.

Mais de 1.400 pessoas morreram neste primeiro ataque – a maioria civis – e milhares ficaram feridas nos assaltos em Israel, com mais de 200 (segundo o governo israelense) e cerca de 250 (segundo o Hamas) sendo levadas como reféns para Gaza.

Apanhado de surpresa no maior ataque desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973, Israel demorou a responder no próprio dia 7, e os terroristas chegaram a controlar algumas localidades. A resposta foi avassaladora, mas ainda houve combates dentro de Israel por mais dois ou três dias.

“Estamos em guerra e vamos vencer. O inimigo pagará um preço que nunca conheceu (…). Vamos reduzir os esconderijos do Hamas a ruínas.”, afirmou na ocasião o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Após ter retomado todas as localidades invadidas por extremistas palestinos no sul do país, Israel lançou ataques aéreos e de artilharia contra Gaza, com ao menos um deles atingindo um campo de refugiados no norte do enclave.

As Forças Armadas israelenses disseram ter matado cerca de 1.500 terroristas dentro do país. Os militares também fizeram um “cerco completo” à Faixa de Gaza. O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disse que não haveria eletricidade, nem comida, nem combustível. “Estamos lutando contra humanos selvagens, e agiremos de acordo”, disse.

Os ataques terroristas a Israel e o subsequente bombardeio israelense de Gaza, que deixaram mais de 5 mil mortos até agora, puseram o Oriente Médio de volta no centro das preocupações geopolíticas internacionais, ultimamente dominadas pela invasão russa na Ucrânia, ocorrida em fevereiro de 2022, e as disputas entre EUA e China pela hegemonia mundial.

A ofensiva israelense contra Gaza causou uma crise humanitária no território de 2,3 milhões de habitantes, submetido a um bloqueio total de água, comida, combustíveis e medicamentos que vem mobilizando governos e entidades internacionais, como a ONU e a OMS.

Como consequência, o presidente dos EUA, Joe Biden, e o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, já foram visitar Israel. No entanto, países árabes que se aproximavam de Israel, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, já adotaram uma posição bastante crítica que pode ter impacto nessa política.

Israel mobilizou 360 mil militares e tudo indica que se prepara para uma ofensiva terrestre em Gaza, com o objetivo expresso por seus líderes de destruir o Hamas. Há pelo menos 100 mil soldados concentrados na fronteira com o território, e as cidades e localidades israelenses na região continuam sob ataque dos foguetes disparados da Faixa de Gaza.

Na parte norte do território palestino, submetida a pesado bombardeio, pelo menos 400 mil pessoas já fugiram, após ultimato de Israel, rumo ao centro e o ao sul. Nestas regiões, no entanto, também ocorrem ataques.

O ataque ao Hospital Árabe al-Ahli, na Cidade de Gaza, ocorreu no dia 17 de outubro, o 11º da guerra, causando 479 mortes e 372 feridos – segundo o Ministério da Saúde do território – e desencadeando uma guerra de versões sobre sua autoria. Foi a maior tragédia na guerra após os ataques terroristas iniciais ao território de Israel no dia 7 de outubro.

O Hamas acusa Israel pelo bombardeio, e as Forças Armadas israelenses alegam que o responsável pela tragédia foi o grupo extremista palestino Jihad Islâmica, que teria disparado um foguete contra Israel de Gaza, mas o artefato teria tido um defeito e caído sobre o hospital. Aliada do Hamas, a Jihad Islâmica nega qualquer participação no ataque.

Nesse sábado (21), caminhões com doações de alimentos, medicamentos e outros itens básicos começaram a entrar na Faixa de Gaza pela fronteira com o Egito. O Exército de Israel disse que a ajuda se destinava apenas à parte sul do enclave palestino.

No entanto, os ataques aéreos israelenses também continuaram no sul de Gaza. Os últimos ataques aéreos israelenses destruíram o bairro de al-Zahraa, no centro de Gaza. Mais de 20 blocos de apartamentos foram arrasados durante a noite de sexta-feira (20).

Imagens e vídeos postados nas redes sociais mostraram nuvens de fumaça subindo acima do bairro e fileiras de prédios destruídos ao longo de ruas repletas de escombros. As informações são do jornal O Globo e da BBC News.

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