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Entenda o que poderia acontecer se a Seleção Brasileira desistisse de jogar a Copa América

Rogério Caboclo (à esquerda) acionou o presidente Bolsonaro para Copa América ser transferida para o Brasil. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

O Estatuto da Conmebol é claro: os membros associados à entidade são obrigados a disputar as competições organizadas por ela. O Brasil, depois de se oferecer para sediar a Copa América deste ano e substituir Argentina e Colômbia, viu uma crise estourar nos bastidores da seleção brasileira, opondo jogadores e comissão técnica, de um lado, e o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo, de outro.

O que aconteceria se o conflito atual culminasse na desistência do Brasil de disputar a competição? De acordo com o Artigo 13 do Estatuto da Conmebol (causas para suspensão de uma associação membro), item “d”, “a não participação ou ausência injustificada, a julgamento do Conselho, em torneios organizados e declarados obrigatórios pela Conmebol” é um motivo para suspensão.

De acordo com o documento, no Artigo 15 (Expulsão das Associações Membros), “não cumprir com as obrigações impostas pelo presente Estatuto e/ou Regulamentos, depois de ter sido suspensa e não ter cessado as causas que motivaram a sanção inicial”, é razão para uma associação ser desfiliada, medida extrema.

Vale destacar que existem casos de seleções que desistiram da participação da Copa América sem terem sofrido sanções mais graves. O caso mais recente foi o da Argentina, que não foi à competição na Colômbia, em 2001, com receio da onda de violência paramilitar vivida no país.

O que se sabe sobre a crise

Em entrevista coletiva na quinta-feira (3) – adiada e sem a presença do capitão Casemiro –, o técnico Tite foi direto: há uma posição clara entre os atletas sobre a participação do Brasil na Copa América e esta já foi externada a Caboclo. A visão, porém, só virá a público no dia 8, próxima terça-feira, quando o Brasil finaliza os compromissos das eliminatórias da Copa do Mundo, em partida contra o Paraguai. A Copa América começa no dia 13, o mesmo dia da estreia da seleção, contra a Venezuela.

“Nós temos uma opinião muito clara e nós fomos, lealmente, numa sequência cronológica, e Juninho externando ao presidente qual nossa opinião. Na sequência, pedimos aos atletas que ficassem focados exclusivamente no jogo contra o Equador, e nos atenderam. Em seguida, solicitaram uma conversa com o presidente, direta e lealmente falando a ele suas opiniões, porque (a opinião) de todos os atletas está muito clara, muito limpa. E foi externada em uma conversa direta e pessoal com presidente e comissão técnica”, disse o técnico Tite, na coletiva de quinta.

Na manhã desta sexta-feira(4), o jornal espanhol “As” publicou extensa reportagem sobre o assunto. Segundo o periódico, o elenco já decidiu não disputar a Copa América e procura coordenar com outras seleções do continente um posicionamento contrário a realização do torneio. O veículo diz que os jogadores esperavam o cancelamento da competição e se sentem “traídos e usados”. “Se sentem expostos a uma situação em que seriam vistos como insensíveis em meio a uma crise sanitária em seu país, com quase 500 mil mortos, para jogar uma competição que acreditam ser totalmente desnecessária”, diz trecho da reportagem.

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