Em uma semana, o dólar americano acumulou uma valorização de 1,58% em relação ao real. Entre a quinta-feira e sexta-feira, a moeda foi dos R$ 3,39 aos R$ 3,46, com um pico de R$ 3,50 no período. A alta, embora pareça repentina, tem explicações, segundo analistas, em fatores externos – movidos pela política econômica dos Estados Unidos – e internos, como a indefinição do cenário eleitoral deste ano no Brasil.
De acordo com o professor de economia internacional da Universidade Federal de Pernambuco, Ecio Costa, a variação do dólar deve se manter, em último caso, até meados de outubro. “No cenário internacional, tem toda uma expectativa em relação à divulgação do PIB americano. Espera-se um resultado de crescimento, que é bom para a economia deles, mas traz alguns aspectos complicados para o resto do mundo. A economia crescendo muito, alinhada com a expectativa de inflação subindo naquele país, faz com que o Banco Central dos EUA, o Federal Reserve System aumente a taxa de juros deles para conter esse crescimento. A alta recente do dólar é uma especulação, que pode ser consolidada com o resultado do PIB. A alta dos juros dos Estados Unidos, tirá dólares do Brasil porque os investidores voltam a aplicar no Tesouro norte-americano, que estará remunerando melhor”, diz ele.
O que define o câmbio?
Muitos fatores podem determinar a valorização ou queda da moeda dos Estados Unidos em relação ao real. Mas o principal deles é a relação entre oferta e demanda. Por isso, para entender por que o dólar sobe ou desce é preciso observar o que faz a oferta e a procura de dólares no Brasil aumentar ou diminuir.
O que pode fazer o dólar cair em relação ao real?
Superávit comercial: quando o Brasil vende mais produtos no exterior, as empresas brasileiras recebem pagamento em dólar. Quando ele importa, as empresas precisam de dólar para pagar seus fornecedores, ou seja, aumenta a demanda por dólar. Quando há um superávit comercial – exportações acima das importações – o fluxo financeiro gera uma entrada de dólar no Brasil.
Gastos de turistas estrangeiros: quando eles trocam dólar por real no Brasil, aumenta a oferta de dólar no país e a demanda por real. Ou seja, o aumento dos gastos dos turistas estrangeiros no país contribui para a queda do dólar em relação ao real. Juros brasileiros: quando a taxa de juros brasileira sobe, fica mais atrativo para os investidores estrangeiros colocarem dinheiro nas aplicações financeiras no país, porque o dinheiro vai render mais.
O que pode fazer o dólar subir em relação ao real?
Déficit comercial: quando há déficit da balança comercial, ou seja, quando o Brasil compra mais produtos de fora do que vende, há saída de dólares do país. Ou seja, cai a oferta de dólares, que puxa pra cima a cotação da moeda sobre o real. Gastos de brasileiros no exterior: quando os turistas brasileiros gastam em outros países, na prática, há uma saída de dinheiro do Brasil para os EUA. Eles precisam de dólar para gastar no exterior – ou seja, há mais demanda de brasileiros pela moeda americana.
Juros americanos: se os juros nos Estados Unidos sobem, a tendência também é que saiam dólares do Brasil, já que a taxa lá fora fica mais atrativa para os investidores.
