O governador Eduardo Leite apresentou nesta quinta-feira (30) os resultados de uma consulta pública junto a 1.520 entidades de 441 dos 497 municípios gaúchos sobre um tema que está entre os principais motivos de preocupação no contexto da pandemia: a volta das aulas presenciais. Para a maioria, a retomada deve começar pelo Ensino Superior e ter como último passo a Educação Infantil.
Esse cenário foi o mais votado em um dos cenários propostos no formulário eletrônico enviado aos participantes da pesquisa. Eles foram convidados a montar uma panorama que, em sua avaliação, é o ideal para um retorno ao ensino presencial. A conclusão é de que o processo deveria começar pelas faculdades, seguidas pelas instituições de Ensino Médio e Técnico, depois as de Ensino Fundamental (anos finais, depois os iniciais) e, por fim, a Educação Infantil.
Outra opinião majoritária dos representantes de entidades é de que estabelecer aulas apenas em turno seria a melhor estratégia, mesmo no caso de estudantes da Educação Infantil e Ensino Médio matriculados no modelo de turno integral (dois turnos).
Em outro cenário da consulta, a consulta apresentou quatro cenários fechados, dos quais o que recebeu mais votos foi o que estabelece a retomada do ensino presencial em cinco etapas. Os ensinos Médio e Técnico seriam os primeiros a retomar as atividades, depois viriam os anos finais do Fundamental (6° ao 9° ano), os iniciais do Fundamental (1° ao 5° ano), o Superior e, por último, a Educação Infantil (creche e pré-escola). Essa proposta recebeu (89,5%), dos votos.
“Nesse segundo cenário, foi majoritário o cenário B, que começa pelos ensinos Médio e Técnico”, mencionou o governador. “Mas no caso das redes assistenciais e organizações sociais, a gente percebe que há um grupo que prefere o retorno da Educação Infantil, possivelmente por serem entidades mais ligadas a populações em situação de vulnerabilidade e existe a preocupação com as condições em que essas famílias estão vivendo”.
Com participação majoritária das redes municipais de ensino, o processo durou dez dias e reuniu 759 respostas sobre cenários de reinício das atividades, incluindo medidas de prevenção ao coronavírus e os desafios para implementar protocolos específicos. Os participantes também apresentaram sugestões a serem tomadas no que diz respeito ao transporte das crianças, medidas de prevenção, educação especial e ao cumprimento das medidas de distanciamento.
As sugestões foram catalogadas por uma equipe que atua junto ao Comitê de Dados e serão analisadas pela Seplag (Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão), com apoio das pastas da Educação e Saúde.
Decisão em aberto
De acordo com Eduardo Leite, o governo do Estado ainda não tomou uma decisão sobre a retomada das aulas presenciais, pois a questão é complexa e envolve as vidas dos alunos e de suas famílias, em um contexto onde há interação entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Isso torna complicada a definição de protocolos.
“Sabemos que o assunto mobiliza e preocupa muitas pessoas. Embora as crianças pertençam a um grupo de menor risco de letalidade, também são transmissoras do vírus. Como não há uma solução fácil, buscamos ouvir o máximo de representantes do setor para chegar a uma solução coletiva e colaborativa. A pesquisa ajuda a identificar como a volta às aulas é encarada pela sociedade”.
A educação movimenta, no Rio Grande do Sul, mais de 2,5 milhões de pessoas, desde a pré-escola à pós-graduação. Esse contingente representa ao redor de 20% da sociedade gaúcha, conforme comentou Leite:
“É muita gente envolvida e, evidentemente, devemos ter todo o cuidado, porque significa uma grande circulação de pessoas nos deslocamentos e, em grande parte do tempo, que ficarão juntas em ambientes quase fechados ou fechados. Mas, de outro lado, temos a preocupação porque estamos falando da formação dos adultos que queremos, do futuro das gerações”.
(Marcello Campos)
